AFP PHOTO / Eric BARADAT
AFP PHOTO / Eric BARADAT

Organizações americanas repudiam proposta migratória de Trump

União Americana de Liberdades Civis disse que plano é 'xenófobo' e 'cheio de ódio', e criticou sugestão de eliminar os mecanismos de imigração legal, incluindo a chamada 'loteria de vistos'

O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2018 | 04h17
Atualizado 26 Janeiro 2018 | 09h15

MIAMI - Várias organizações dos EUA rechaçaram na quinta-feira 25 a proposta do presidente Donald Trump de conceder cidadia a 1,8 milhão de imigrantes ilegais que chegaram ao país ainda crianças em troca de US$ 25 bilhões para construir o muro e reforçar a segurança na fronteira com o México.

+ Para entender: Daca, o programa migratório de Obama que foi suspenso por Trump

A União Americana de Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês), organização de direitos civis mais importante do país, qualificou a proposta de "xenófoba" e "cheia de ódio". O grupo também criticou a sugestão para eliminar os mecanismos de imigração legal, incluindo a "loteria de vistos".

+ Trump sinaliza com cidadania a 'dreamers', mas só dentro de 10 ou 12 anos

"Reduziria a imigração legal a níveis não vistos desde as cotas raciais da década de 1920, eliminaria os canais legais de imigração para os países africanos, e gastaria US$ 25 bilhões em um muro fronteiriço prejudicial e desperdiçador", disse em um comunicado Lorella Praeli, diretora de políticas e campanhas de imigração da ACLU.

Segundo altos funcionários da Casa Branca, Trump pediu ao Congresso que aprove uma lei que permita aos "dreamers" (sonhadores) conseguir a cidadania em 10 ou 12 anos, desde que cumpram alguns requisitos, como ter trabalho, educação e "um bom comportamento moral".

O presidente também pediu o fim da chamada "loteria de vistos para a diversidade", que concede aleatoriamente até 50 mil vistos por ano para cidadãos de países com baixas taxas de imigração para os EUA, especialmente as nações africanas. Ele defendeu que, em seu lugar, os recursos sejam dados a trabalhadores altamente qualificados e famílias.

"Nenhum democrata ou republicano que afirme querer verdadeiramente proteger os 'dreamers' deve respaldar ou, inclusive, considerar esta proposta", disse a presidente do Centro para o Progresso Americano, Neera Tanden.

O número de 1,8 milhão de imigrantes, proposto por Trump, é superior aos 690 mil jovens que podem trabalhar e estão protegidos de deportação graças ao programa Daca (Ação Diferida para Chegadas de Crianças), cuja vigência expira em março por ordem do presidente.

Contudo, isso ocorreria ao custo de provisões "extremamente prejudiciais", o que reduziria a imigração legal até "um momento em que os EUA discriminavam abertamente por motivos de raça e origem nacional", afirmou Tanden.

O presidente da FWD.us, Todd Schulte, disse que, segundo o que tem sido reportado sobre a proposta até agora - e deve ser "o maior corte de imigração legal em quase um século" -, a medida "devastaria" a economia americana. "Afetaria especificamente os trabalhadores de classe média e renda média em todo o país", declarou.

A Coalizão pelos Direitos Humanos dos Imigrantes (Chrila, na sigla em inglês) rechaçou a "indecente e grotesca proposta", a qual "descaradamente usa jovens imigrantes como moeda de troca para obter US$ 25 bilhões para o muro na fronteira". "Este plano não pretende oferecer uma solução, mas sim inflamar e dividir nossa nação", ressaltou Angélica Salas, diretora da organização.

"É um teatro político para os nacionalistas brancos que já esta morto", afirmou Jess Morales Rocketto, diretora política da Aliança Nacional de Trabalhadoras Domésticas, responsável pela campanha "We Belong Together" (Pertencemos Um ao Outro, em tradução livre).

"Essa não é uma solução. É mais uma prova de que essa administração não se preocupa com os 'dreamers', nem com nenhum imigrante, e não sabe como governar", acrescentou ela.

A Casa Branca descreveu o plano de Trump como um "compromisso" para alcançar um acordo no Congresso, onde republicanos são maioria, mas os democratas contam com votos suficientes para bloquear propostas e, como ocorreu recentemente, forçar uma paralisação administrativa.

Muitos funcionários democratas e republicanos disseram que não apoiarão uma lei de orçamento se não for estabelecido antes um acordo sobre imigração. A Casa Branca espera que o Senado vote sobre uma lei migratória até o dia 8 de fevereiro, quando expira a lei de gastos que financia a administração. / EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.