Organizadores garantem festa do Oscar

Após manter a cerimônia do Oscar sob suspense e de dar declarações como "estamos construindo a cerimônia sobre areia, já que a situação é muito fluida", a entrega do Oscar se realizará neste domingo à noite apesar da guerra no Iraque e somente será cancelada por circunstâncias extremas, segundo os organizadores.Entre desistências de Tom Hanks e Will Smith, rumores de que Meryl Streep e Angelina Jolie poderiam não ir, e protestos contra a guerra já anunciados, o presidente da Academia de Cinema, Frank Pierson, em declarações nesta sexta-feira, se negou a fazer previsões sobre as "circunstancias" em que se cancelaria o evento. "Como vimos nestas últimas noite, a situação é tão imprevisível que queremos, assim como o está fazendo o presidente, manter disponível todas as opções e ser flexivel. Assim que no vou a fazer previsões´´, declarou Pierson.Mas mesmo que ocorra na data marcada, o Oscar já está irremediavelmente prejudicado. Will Smith, o agente J dos filmes Homens de Preto, anunciou que vai desfalcar a cerimônia. O caso dele não soou como um protesto contra a guerra, ficou mais próximo de um lamento. "Ele se sentiria muito incomodado, levando-se em conta o que está se passando pelo mundo", disse seu agente. Já o diretor finlandês Aki Kaurismaki, cujo O Homem Sem Passado concorre ao prêmio de filme estrangeiro, vai mesmo boicotar. Ele disse que "não pode participar da festa do Oscar ao mesmo tempo em que o governo dos Estados Unidos prepara um crime contra a humanidade". Quem também não vai é o diretor de O Senhor dos Anéis, o neo-zelandês Peter Jackson.A atriz chinesa Zhang Ziyi, de Hero, também candidato ao Oscar de filme estrangeiro, dizer que se sente sem ânimo de ir aos EUA durante a guerra, ainda mais para uma festa. Mas mesmo entre os que têm presença garantida, há muito para fazer a lembrança da guerra chegar ao Kodak Theater. Um grupo formado por Susan Sarandon, Dustin Hoffman, Julianne Moore, Jim Carrey, Ben Affleck e outros promete usar broches e fitas de protesto contra o ataque ao Iraque na cerimônia.Há forte expectativa sobre o que dirão os atores, diretores, roteiristas e técnicos que subirem ao palco para pegar suas estatuetas. Os organizadores do Oscar disseram que os premiados poderão usar seus 45 segundos à frente do microfone da forma que quiserem, incluindo aí menções à guerra. Mas sublinharam que o assunto está proibido para os encarregados de apresentar os vencedores. Estes terão que seguir o roteiro da festa.E fora da festa o prejuízo também será evidente. Como muitas celebridades pediram para entrar no Kodak Theater pela porta dos fundos, a organização resolveu suprimir o tradicional tapete vermelho no qual as estrelas costumam dar entrevistas e autógrafos aos fãs. Aposta-se que as roupas das estrelas não serão tão suntuosas como nos anos anteriores. O smoking, por exemplo, não será mais obrigatório para os homens. E o pós-Oscar também está comprometido: a badalada festa da revista Variety, para onde vão as estrelas depois da cerimônia, vai acontecer, mas uma mudança fundamental: não serão permitidos repórteres e fotógrafos. "Niguém quer ser fotografado com uma taça de champanhe na mão enquanto no Iraque estão morrendo soldados americanos", disse um porta-voz.Veja o especial :

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