Órgão da Liga Árabe pede que observadores deixem a Síria

Grupo diz que presença de monitores contribui para que regime de Assad dê 'fachada de legitimidade' à repressão

CAIRO, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2012 | 03h03

Um corpo consultivo da Liga Árabe recomendou ontem que a missão enviada à Síria para comprovar o cumprimento do acordo que determina o fim da repressão às manifestações pela saída do ditador Bashar Assad e a libertação dos presos durante os protestos deixe o país. Segundo o Parlamento Árabe, a presença dos observadores contribui para que Damasco dê "uma fachada de legitimidade" aos abusos que está cometendo.

Os Comitês de Coordenação Local afirmam que 286 sírios foram assassinados pelas forças leais ao ditador desde que a missão árabe chegou ao país, em 23 de dezembro. De acordo com as organizações, que contabilizam os mortos pela repressão aos protestos, mais oito pessoas foram mortas pelas tropas de Damasco ontem.

"O fato de isso ocorrer na presença dos monitores provocou a fúria do povo árabe e vai contra o propósito do envio de uma missão investigativa", afirmou o presidente do Parlamento Árabe, Ali al-Salem al-Dekbas. "Isso (a missão) está dando ao regime sírio uma fachada de legitimidade para que ele continue suas ações desumanas sob os olhos e ouvidos da Liga Árabe."

O corpo consultivo composto por 88 membros pediu para que o secretário-geral da entidade, Nabil al-Araby, convoque uma reunião entre os chanceleres árabes para que a resolução pela retirada dos observadores seja determinada imediatamente. O Parlamento Árabe foi o primeiro organismo da liga a pedir sanções contra o regime de Assad.

"A presença dos monitores não afetou o comportamento do regime", afirmou Rima Fleihan em nome do Comitê Nacional Sírio, que busca reunir a oposição ao ditador e tenta apoio internacional para que uma intervenção militar externa seja organizada contra o regime.

Moradores de Deraa, um dos berços dos protestos que já duram nove meses, afirmaram aos observadores que milhares de habitantes realizaram uma nova manifestação na cidade na madrugada de ontem. / AP e REUTERS

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