Pedro PARDO / AFP
Pedro PARDO / AFP

Relatório alerta para aglomeração e 'detenção prolongada' em centros de refugiados nos EUA

Documento foi divulgado em meio às denúncias de advogados sobre a situação das crianças imigrantes

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2019 | 01h45

WASHINGTON - Há aglomeração excessiva e risco para a saúde nos centros de acolhimento de imigrantes montados pelo governo americano no sul do Texas, reconheceu na última terça-feira, 2, o Escritório do Inspetor Geral do Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos (DHS).

Após visitar vários desses centros em junho, a organização elaborou um relatório, divulgado na terça, no qual alertou o DHS sobre a necessidade de resolver os problemas de aglomeração e de "prolongada detenção" de crianças e adultos na região. "O propósito do relatório é notificá-los de um assunto urgente que requer atenção e ação imediata", ressaltou o órgão.

O documento indicou que, no momento da visita, 8 mil imigrantes estavam sob custódia da Agência de Proteção Alfandegária e Fronteiras dos Estados Unidos (CBP). Do total, mais de 3,4 mil estavam presos há mais de 72 horas, prazo máximo estabelecido pelos protocolos do governo.

Entre os detidos, havia quase 2,7 mil menores de idade, 31% deles reclusos por mais tempo do que o limite estabelecido. Eles aguardam a transferência para as instalações do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), responsável por cuidar dos pequenos imigrantes que não estão acompanhados de adultos.

"Durate nossa visita a cinco instalações no Vale do Rio Grande, observamos aglomeração grave de menores não acompanhados e famílias, populações definidas como 'em risco' segundo os padrões de Transporte, Acompanhamento, Detenção e Busca do órgão", afirmou o relatório.

A maior parte dos adultos solteiros, diz o documento, não teve acesso a chuveiro enquanto estavam sob custódia do CBP. Alguns deles chegaram a ficar mais de um mês sem tomar banho. Três dos cinco centros visitados também não tinham chuveiros para as crianças. Em vez disso, os imigrantes recebiam lenços umedecidos e passavam semanas com a roupa com a qual tinham chegado aos centros. Ao falar sobre as famílias, o relatório indicou que a CBP se viu obrigada a manter crianças e seus pais em celas com as portas fechadas.

O documento foi divulgado em meio às denúncias de advogados sobre a situação das crianças imigrantes detidas em um centro da agência em Clint, no Texas.

Segundo as denúncias, não havia fraldas para os bebês. As crianças também não tinham roupas limpas, escovas de dentes e alimentação adequada. / EFE

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