Órgão de direitos humanos da ONU aborda mudanças climáticas

As mudanças climáticas podem ferir osdireitos humanos de pessoas que moram em pequenos Estados-ilha,em áreas costeiras e em partes do mundo sujeitas a secas eenchentes, afirmou na sexta-feira o Conselho dos DireitosHumanos da Organização das Nações Unidas (ONU). Em sua primeira manifestação sobre o assunto, esse fórum daONU que reúne 47 países sancionou, por consenso, uma resoluçãoafirmando que o aquecimento global poderia ameaçar as formas desustento e o bem-estar de muitas das populações vulneráveis doplaneta. O Conselho dos Direitos Humanos deu apoio a uma propostadas Maldivas, de Comores, de Tuvalu, da Micronésia e de outrospaíses para a realização de um "estudo analítico e detalhadosobre a relação entre as mudanças climáticas e os direitoshumanos." Esse estudo deve ser comandado pelo Escritório do AltoComissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. "Até agora, o discurso global sobre as mudanças climáticastendeu a centrar-se nos impactos físicos e naturais dasmudanças climáticas", afirmou em uma reunião do fórum AbdulGhafoor Mohamed, embaixador das Maldivas junto à ONU. "O impacto imediato e profundo do fenômeno sobre os sereshumanos do mundo todo vem sendo em grande parte negligenciado",disse. "Chegou o momento de corrigir esse desequilíbrio dandodestaque à face humana das mudanças climáticas." O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez da luta contrao aquecimento da Terra uma de suas prioridades e encorajoutodas as agências do organismo internacional a incorporar essesesforços a suas missões. Especialistas de vários países alertaram que asconsequências previstas para as mudanças climáticas --entre asquais a elevação do nível dos oceanos e a intensificação detempestades, secas e enchentes-- poderia fazer com que milhõesde pessoas perdessem suas casas, suas fontes de alimento e suasfontes de água limpa. No entanto, os diplomatas presentes na ONU ainda nãotentaram incluir o direito à proteção contra os efeitos doaquecimento em um tratado internacional, como já se fez arespeito de outros direitos sociais e econômicos. Louise Arbour, ex-membro da Suprema Corte do Canadá,anunciou que não tentará continuar no cargo de alta comissáriadas Nações Unidas para os direitos humanos quando chegar ao fimseu atual mandato, no dia 30 de junho. O sucessor dela aindaprecisa ser escolhido. (Reportagem de Laura MacInnis)

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