Órgãos da União Europeia se unem contra expulsão de ciganos na França

Parlamento apoia iniciativa da Comissão da entidade de abrir procedimento contra Paris

Efe

16 de setembro de 2010 | 09h57

 

BRUXELAS - O presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, apoiou nesta quinta-feira, 16, a resposta da Comissão Europeia diante da expulsão de ciganos na França, mas pediu que as partes reduzam a "tensão" e evitem uma "retórica inflamatória".

 

Buzek participou nesta quinta-feira da sessão inicial da reunião de chefes de Estado e de governo da União Europeia realizado em Bruxelas, marcada em boa parte pela polêmica suscitada entre o Executivo comunitário e Paris.

 

"A Comissão é a guardiã da legislação e dos tratados. Iniciou um procedimento (contra a França) e essa é a melhor solução", opinou o presidente da Eurocâmara, instituição que na semana passada aprovou uma resolução impulsionada pela centro-esquerda exigindo das autoridades francesas a suspensão imediata das expulsões.

 

Buzek - membro do Partido Popular Europeu (PPE), ao qual também pertence o presidente francês, Nicolas Sarkozy - evitou repetir esse chamado, mas ressaltou que Bruxelas está em seu direito de intervir para garantir o respeito às normas comunitárias sobre livre circulação e contra a discriminação.

 

O ex-primeiro-ministro polonês insistiu na necessidade de abordar a situação dos ciganos e de outras minorias como um problema comum para toda a União Europeia. "Este não é só um problema dos ciganos e não é um problema único da França ou de outros países. É um problema muito sério e profundo para o conjunto da UE e devemos enfrentá-lo dessa forma", assinalou em entrevista coletiva.

 

Neste sentido, Buzek defendeu que o caso dos ciganos romenos e búlgaros e de outras minorias de nacionalidade europeia deveria "conectar-se" com o de grupos procedentes de países extracomunitários. "Os cidadãos não distinguem entre ciganos, poloneses vivendo em minoria na Irlanda, turcos vivendo na Alemanha ou alguém da Argélia que está na França", explicou.

 

Questionado sobre o cruzamento de declarações entre a comissária europeia de Justiça, Viviane Reding, e o Governo francês, Buzek ressaltou a necessidade de "trabalhar para reduzir as tensões" e evitar episódios de "retórica inflamada".

 

Na quarta, Sarkozy, sugeriu em tom irônico à comissária europeia de Justiça, Viviane Reding, que recebesse os ciganos em Luxemburgo, país natal da representante da União Europeia. A declaração do presidente francês foi uma resposta às críticas feitas por Viviane na terça-feira, quando chamou a política de deportação de ciganos de vergonhosa.

 

As autoridades francesas dizem que a deportação dos ciganos é voluntária e rebatem as críticas dos órgãos internacionais e da oposição dizendo que o processo ocorre dentro das leis europeias e francesas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.