Orgia de japoneses na China causa incidente diplomático

Uma gigantesca orgia de três dias, envolvendo 400 turistas japoneses e 500 prostitutas chinesas, entre os dias 16 e 18 num hotel de luxo do sul da China - supostamente para comemorar a invasão da China pelo Japão, em setembro 1931 - provocou mal-estar entre o governo dos dois países. "O que ocorreu foi odioso", declarou Kong Quan, porta-voz do Ministério do Exterior da China. A polícia fechou o hotel temporariamente e prendeu vários suspeitos de organizar o bacanal. O dia 18 de setembro de 1931 traz amargas lembranças para os chineses. Esta foi a data em que o Exército Imperial japonês invadiu a China e cometeu várias atrocidades contra seu povo - incluindo milhares de violações e a escravidão sexual de até 40 mil chinesas. A orgia - cujos organizadores ainda não tiveram a identidade revelada - ocorreu em Zhuhai, na Província de Guangdong (sul), em vários andares do luxuoso Zuhai International Convention Center Hotel. Cerca de 500 prostitutas de clubes, prostíbulos e karaokês de Zhudai e Shenzhen, a preços no equivalente a entre US$ 145 e US$ 215 por noite, passaram os três dias com 400 turistas japoneses de entre 16 e 37 anos. Segundo a polícia, gravações do circuito interno de tevê do hotel, mostraram cenas de japoneses agarrados a até quatro prostitutas nos corredores e elevadores. A repercussão da orgia foi imediata. "Esperamos que o governo japonês procure melhorar a educação de seus cidadãos sobre as leis chinesas", criticou Kong. A prostituição é oficialmente proibida no sul da China, mas suas cidades são famosos pontos de turismo sexual. Embora fontes ligadas ao serviço comercial do hotel (sobre quem teria recaído a tarefa de organizar o bacanal) garantam que a escolha da data não levou em conta o aniversário da invasão militar japonesa, muitos chineses ficaram revoltados. Em vários sites e na imprensa chinesas, o episódio foi tratado como "vergonha nacional". Milhares deles chegaram a exigir o boicote pela China de produtos japoneses. Após interditar temporariamente o hotel, a polícia prendeu alguns suspeitos para interrogatório. "Vamos investigar tudo para saber se as informações da imprensa correspondem à verdade" ponderou uma porta-voz do Departamento de Segurança de Guangdong.

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