Orientados a não combater, militares dos EUA agem em terra no Iraque

Exército vai elaborar plano de retirada de milhares de refugiados yazidis cercados pelo grupo radical sunita Isil

O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2014 | 02h05

" SRC="/CMS/ICONS/MM.PNG" STYLE="FLOAT: LEFT; MARGIN: 10PX 10PX 10PX 0PX; BAGDÁ - Militares americanos aterrissaram na manhã de ontem nas Montanhas Sinjar, no norte iraquiano, para elaborar um plano de retirada de milhares de refugiados yazidis cercados pelo grupo radical sunita Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês). Os americanos têm orientação de evitar confronto com jihadistas, mas reagir a ataques se necessário.

A notícia do envio dos americanos à cordilheira na Província de Nínive, que envolveria cerca de 20 agentes do governo dos EUA, veio à tona horas depois de um alto funcionário da Casa Branca ter afirmado que Washington consideraria usar tropas terrestres para auxiliar no resgate dos yazidis - caso os conselheiros militares americanos recomendassem.

O subconselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Benjamin Rhodes, disse em Martha's Vineyard, onde o presidente Barack Obama passa férias, que qualquer soldado americano no Iraque pode encarar perigos, mesmo se estiver lá apenas para resgatar refugiados.

Segundo Rhodes, como forças americanas em qualquer outro lugar, os conselheiros nas Montanhas Sinjar estão preparados para se defender caso estejam sob ataque. Rhodes ressaltou a distinção entre o acionamento de tropas americanas para auxiliar uma missão humanitária e a utilização dos militares de seu país para combater o Isil - o que, segundo o funcionário, o presidente já rejeitou e continua rejeitando.

Rhodes argumentou que uma ação de militares em terra era necessária porque a situação dos refugiados não se resolveria só com lançamento comida e água com aviões. Estão em discussão uma ponte aérea e um corredor terrestre para resgatar os yazidis. Ontem à noite, o grupo informou que a remoção de todos os refugiados era complexa e improvável.

Bagdá. Um dia depois de aparentemente retroceder na pretensão de se manter no poder, o primeiro-ministro demissionário do Iraque, Nuri al-Maliki, voltou a afirmar ontem que a indicação de Haider al-Abadi para substituí-lo no cargo é uma violação da Constituição. Ele disse que a nomeação de Abadi pelo presidente Massud Barzani "não tem validade" e permanecerá no cargo até uma decisão judicial.

Em um discurso televisionado ontem, Maliki disse que todos devem esperar a decisão pendente de um tribunal federal sobre a objeção feita por ele à indicação de Abadi. "A violação que ocorreu invalida a medida e suas consequências não têm efeito", declarou. Um dia antes, um comunicado do seu gabinete pediu a não intervenção dos militares na crise. "Deixem esse assunto para o povo, os políticos e a Justiça", recomendou o texto.

O premiê designado recebeu o aval dos EUA e do Irã, na terça-feira, após pedir que líderes políticos acabassem com as disputas que permitiram aos militantes islâmicos tomar um terço do território iraquiano. A televisão estatal relatou ontem que Abadi estava trabalhando na formação de um novo gabinete e desenvolvendo um programa de governo em acordo com outros blocos políticos.

Maliki, porém, tem se recusado a deixar o poder, após oito anos como premiê. Críticos o acusam de marginalizar, durante seu governo, a comunidade sunita que antes dominava o país e, assim, agravar a crise. Maliki, assim como Abadi, é xiita.

Enquanto isso, o país sofre com a violência. Em Bagdá, pelo menos 12 pessoas morreram na explosão de dois carros-bomba em duas áreas xiitas. Houve confrontos também na região por onde o Isil avança. Fontes das forças curdas - etnia da região semiautônoma do Iraque que tenta conter o avanço dos radicais - afirmaram que alguns de seus combatentes entraram em choque com milicianos do Isil na Província de Diyala, ao nordeste de Bagdá. Na capital da província, Baquba, cinco sunitas foram mortos a tiros por xiitas em uma mesquita.

Apoio de Teerã. O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, anunciou ontem seu apoio a Abadi. Adversários desde a Revolução Islâmica, em 1979, Teerã e Washington dividem agora o interesse em conter o crescimento do jihadismo sunita na Síria e no Iraque. "Espero que a designação de um novo primeiro-ministro no Iraque leve ao estabelecimento de um novo governo que ensine lições àqueles que provocam desordem." / NYT, REUTERS e AP

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