Oriente Médio condena ataques dos EUA

Em todo o Oriente Médio hoje, pessoas se concentraram na frente da televisão para saber as últimas notícias do que muitos temem tenha sido o início de uma guerra contra os árabes e muçulmanos, e não contra o terrorismo. Os ataques "são injustos", disse Rola al-Bosh, uma dona de casa de 39 anos que acompanhava as notícias no Havana Cafe, na capital síria, Damasco. "A América devia nos mostrar provas contra Bin Laden antes de atingir o Afeganistão", afirmou ela. "E mesmo se Bin Laden for culpado, não é justo que todo um povo seja punido pelo erro de um homem". Desde os atentados terroristas de 11 de setembro em Washington e Nova York, cidadãos árabes têm rejeitado alegações dos EUA de que o dissidente saudita Bin Laden foi o responsável. Moustafa Abdel Salam, um contador de 28 anos no Cairo, repetiu a preocupação de muitos, de que os EUA estão aproveitando os ataques de 11 de setembro para acusarem falsamente países árabes e islâmicos de terrorismo. A maioria da população afegã é muçulmana. Alguns árabes têm pedido aos EUA para reconsiderarem suas políticas em relação ao Oriente Médio - como o que vêem como seu suposto favorecimento a Israel em seu conflito com os palestinos -, que, dizem, revoltam os árabes e alimentam o terrorismo. "A América está agora combatendo o terrorismo, quando foi ela que criou o terrorismo desde o começo", disse Salam. Maamoun el-Hodeibi, um líder da Irmandade Muçulmana, o maior e banido grupo de oposição islâmica do Egito, lembrou das manifestações das últimas semanas no Oriente Médio de protesto contra possíveis ataques dos EUA. "É uma vergonha que superpotências como os Estados Unidos e Grã-Bretanha se aliem contra um pequeno país" como o Afeganistão, afirmou ele no Cairo. No Irã, o porta-voz do Ministério do Exterior, Hamid-Reza Assefi, disse à agência de notícias IRNA: "Esses ataques que foram lançados sem levar em conta a opinião pública mundial, especialmente das nações muçulmanas e que vão prejudicar os inocentes e oprimidos afegãos, são inaceitáveis". Assefi advertiu os Estados Unidos para tomararem o cuidado de não violar o espaço aéreo iraniano. O Irã, que tem afirmado não considerar os EUA competentes para liderar um assalto global contra o terrorismo, anunciou na semana passada que não iria permitir que os Estados Unidos usassem seu espaço aéreo para atacar o Afeganistão. A tevê iraquiana denunciou os ataques anglo-americanos contra o Afeganistão, considerando-os uma "agressão traidora". A tevê iraquiana havia anteriormente se ligado à popular estação via satélite árabe Al-Jazeera para mostrar ao vivo os ataques contra a capital afegã. A ligação foi abruptamente interrompida quando a estação passou a mostrar um vídeo do presidente dos EUA, George W. Bush. O Chipre ofereceu um raro apoio na região, com o ministro do Exterior Yiannakis Cassoulides indo à televisão na noite de hoje para reiterar o respaldo de seu governo aos Estados Unidos e para "reafirmar que essa guerra não é contra o Islã mas apenas contra o terrorismo". O governo de Cassoulides, que detém o poder na parte da dividida ilha povoada predominantemente por cristãos ortodoxos, tinha anteriormente colocado seus aeroportos à disposição dos militares americanos para seus ataques antiterroristas. Ainda não havia indicação de que aviões dos EUA estavam usando qualquer um dos dois aeroportos cipriotas. Leia o especial

Agencia Estado,

07 Outubro 2001 | 18h20

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