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Oriente Médio será desafio para eleito

Irã, Iraque e Israel estão no topo das prioridades dos EUA na região

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

04 de novembro de 2008 | 00h00

O próximo presidente dos EUA, seja ele Barack Obama ou John McCain, dará prioridade aos três "is" na política externa americana para o Oriente Médio: Irã, Iraque e Israel.O Irã é considerado o maior inimigo de Washington e está, segundo analistas, próximo de construir uma bomba atômica. No caso do Iraque, a preocupação é com as dezenas de milhares de soldados americanos atualmente engajados numa ocupação sem data para terminar. Já Israel é um aliado estratégico, mas está encravado numa das regiões mais instáveis do mundo.O que acontecer nos "is" tende a afetar todo o Oriente Médio. Se os EUA atacassem o Irã provocariam uma guerra regional. Por outro lado, se deixassem que o país xiita construísse a bomba atômica, custariam uma corrida armamentista nos vizinhos, com implicações sobre o preço do petróleo.No Iraque, a preocupação é com os efeitos da longa campanha militar americana. Por um lado, no campo doméstico, os americanos estão cansados dessa guerra, que já dura mais do que as duas grandes guerras mundiais. De outro lado, há a rejeição do mundo árabe ao que parece ser um novo colonialismo ocidental.Israel, por sua vez, tem acordos de paz com o Egito e a Jordânia, mas ainda é visto pela maior parte de seus vizinhos como o principal provocador de instabilidade no Oriente Médio por sua ocupação de territórios como a Cisjordânia, as Colinas do Golan e as Fazendas de Shabaa. O processo de paz com os sírios e os palestinos, ou, em maior escala, com todos os países árabes capitaneados pela Arábia Saudita, pode diluir um pouco a tensão nesta frente que foi deixada de lado por George W. Bush até o último ano de seu mandato, quando já era muito tarde.O que ocorrer na eleição americana não necessariamente determinará os destinos do Oriente Médio, segundo afirmaram acadêmicos reunidos em Beirute, no Líbano, para uma conferência da Fundação Carnegie para a Paz Internacional. Segundo eles, nações como Rússia, China e França já exercem uma influência maior que a dos EUA nesta região. Prova disso foi a recente negociação francesa para o estabelecimento de relações diplomáticas entre o Líbano e a Síria.O cenário interno nos "Is" também tende a influenciar. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, enfrentará eleições em junho. Sua popularidade está em baixa com o aumento da inflação. Figuras mais moderadas ou pragmáticas podem superá-lo na disputa por um segundo mandato. Israel também terá eleições em fevereiro. De um lado, Tzipi Livni, do centrista Kadima, está disposta a levar as negociações de paz adiante. Já o candidato do partido conservador Likud, Binyamin Netanyahu, é contrário à desocupação dos territórios árabes.Obama e McCain têm visões parecidas sobre o conflito árabe-israelense. Os dois se dizem abertamente pró-Israel. Porém, há diferenças envolvendo o processo de paz. O democrata - que conta com cerca de três quartos do voto judaico, segundo pesquisas - afirma ser a favor da criação de um Estado palestino ao lado de Israel, sem especificar quais seriam as fronteiras dos dois países. Já o republicano, em artigo sobre a sua política externa publicado na Foreign Affairs, escreveu que a paz entre israelenses e palestinos deve ser uma prioridade, mas não fala em criação de um Estado palestino. Os dois candidatos se dizem favoráveis ao isolamento do Hamas, considerado por ambos como xiita, e do Hezbollah, classificado como grupo terrorista libanês.Os pontos de vista dos dois candidatos para o Iraque são claramente distintos entre si. McCain defende a manutenção das tropas americanas no país e a colaboração com sunitas que lutem contra a Al-Qaeda. Obama defende a retirada dos militares dentro de um prazo de 16 meses e acredita na influência do diálogo com a Síria e o Irã para estabilizar o Iraque.No Irã, a preocupação é com a ameaça das armas nucleares. O democrata acredita que os EUA devem estabelecer um canal de negociações com Teerã, mas propõe um conjunto de precondições para o início dos diálogos. McCain, por sua vez, não descarta o início de um diálogo com níveis hierárquicos intermediários do governo iraniano, embora, no passado, o candidato republicano já tenho defendido a estratégia de simplesmente bombardear o Irã.Os problemas americanos também começam a crescer na Ásia Central. A violência do Taleban se intensificou no Afeganistão, com novos ataques terroristas. Obama afirma que os EUA deveriam ter mais tropas ali do que no Iraque. Ao mesmo tempo, o vizinho Paquistão, principal aliado da guerra ao terror na região, sofre com atentados e com a presença de militantes do Taleban e da Al-Qaeda na região de fronteira com o Afeganistão. Para complicar, há o temor de que a Al-Qaeda consiga ter acesso a armas nucleares do país. A democratização dos países árabes, que chegou a ser prioridade no segundo mandato de Bush, é deixada de lado pelos dois candidatos. Os americanos sabem que este é um mal menor.PROPOSTAS DIFERENTESLíbano: Obama e McCain defendem a democracia libanesa e pedem desarmamento do HezbollahSíria: O democrata Obama quer diálogo com os sírios para estabilizar o Iraque. Para McCain, país apóia o terrorismo internacionalEgito: Foi pouco mencionado nas campanhas. Pressão por democratização foi reduzida por temor de avanço da Irmandade MuçulmanaPalestinos: Obama é a favor de um Estado palestino, McCain não se pronunciou. Para ambos, o grupo Hamas é terroristaIsrael: É prioridade para ambos, que demonstram preocupação com a segurança do país, inserido numa região convulsionadaIraque: O republicano McCain defende a permanência das tropas americanas. Já Obama prefere a retirada dentro de 16 mesesIrã: Democrata quer esgotar canais diplomáticos. Republicano defende mais sançõesAfeganistão: Para Obama, americanos devem reforçar as tropas no país. McCain considera Iraque mais importante que AfeganistãoArábia Saudita: Ambos sabem que a monarquia saudita é um aliado importante. Apenas a Casa dos Saud pode impedir um regime ainda mais radical

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