Efe/Arquivo
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Oriundo de família guerrilheira, Jojoy passou mais de 30 anos nas Farc

Número dois no comando do grupo, rebelde era conhecido como o 'símbolo do terror'

Efe

23 de setembro de 2010 | 16h27

BOGOTÁ - Mono Jojoy era considerado um dos integrantes mais radicais e sanguinários das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O guerrilheiro tinha grande habilidade de driblar o Exército na selva, mérito que o levou à liderança militar da maior organização guerrilheira da Colômbia.

 

Sua visão estratégica para a guerra e seu sangue frio permitiram que ascendesse rapidamente dentro da organização insurgente e o levaram a comandar operações importantes na região de La Macarena, local onde ficava há vários anos o seu principal acampamento.

 

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Víctor Julio Suárez Rojas, conhecido como "Jorge Briceño Suárez" e "Mono Jojoy", morreu aos 57 anos após uma vida dedicada à luta armada herdada de seu pai, que na década de 1950 enfrentou o regime conservador da época. Membro de uma família de rebeldes que o levou a ingressar na guerrilha em 1975, Mono Jojoy nasceu no dia 5 de fevereiro de 1953 no município de Cabrera, localizado a poucos quilômetros de Bogotá e um dos redutos das Farc até alguns anos atrás.

 

Sobre ele recaíam acusações de narcotráfico, terrorismo, rebelião, homicídio com fins terroristas, sequestro, assalto, extorsão, furto e porte ilegal de armas, entre muitos outros delitos.

 

Ataques

 

Os ataques mais violentos das últimas décadas estiveram sob sua coordenação, como a estratégia militar que dobrou o Estado colombiano e o obrigou a tentar negociar a paz em 1999. O chefe militar das Farc foi comandante do Bloco Oriental, um dos grupos mais ativos e o que promoveu mais ataques à Polícia nas mais de quatro décadas de conflito armado colombiano.

 

Em 1991, o comandante protagonizou o atentado à base militar de Girasoles. Três anos mais tarde planejou o assassinato do general Carlos Julio Gil Colorado e, no ano seguinte, dirigiu ações simultâneas contra a base da Polícia Antinarcóticos de San José del Guaviare e as instalações do Batalhão Joaquín París, no sul da Colômbia.

 

Em novembro de 1998, Jojoy liderou a maior operação já realizada pelas Farc ao ocupar durante três dias a cidade de Mitú, capital do departamento de Vaupés, quando 56 policiais foram tomados como reféns e 37 pessoas foram mortas.

 

Por suas posições duras e declarações prepotentes nas ocasiões em que eram mantidos diálogos de paz, Jojoy ganhou o apelido de "símbolo do terror", convertendo-se em um dos guerrilheiros mais detestados e tornando-se o principal alvo do Estado após a ruptura das negociações iniciadas com o governo em 1998. Ele também teve participação no sequestro da ex-candidata à presidência Ingrid Betancourt em 2002, que ficou sob poder das Farc por seis anos.

 

Seu apelido é derivado de um verme conhecido como "mojojoy" cuja habilidade é escapar de predadores na selva.

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