Ortega ameaça tirar Nicarágua da OEA

Ruptura foi cogitada depois de a organização ter apoiado a Costa Rica em litígio fronteiriço

Reuters, Ap e Efe, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2010 | 00h00

MANÁGUA

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, ameaçou ontem deixar a Organização dos Estados Americanos (OEA) em protesto contra o que considera ser "uma conspiração" em favor da Costa Rica. Os dois países enfrentam uma tensa disputa fronteiriça reiniciada duas semanas atrás. O órgão americano pediu que a Nicarágua retirasse suas tropas da fronteira.

"Fomos testemunhas de um fracasso da OEA. Eu me pergunto que sentido tem estar na OEA e teremos de considerar seriamente nossa retirada", disse Ortega numa mensagem ao país, lida na noite de sábado. O presidente nicaraguense negou-se a retirar suas tropas, estacionadas na fronteira com a Costa Rica, país que decidiu dissolver seu Exército em 1948.

Os costa-riquenhos acusam a Nicarágua de ter violado a fronteira, ao mandar tropas à zona fronteiriça do Rio San Juan. Os nicaraguenses dizem que estão apenas fazendo um serviço de dragagem no rio, que lhes pertence. No início da polêmica, os nicaraguenses jogaram em um mapa do Google a culpa por terem entrado em território vizinho.

Chamado a arbitrar a disputa, o Conselho Permanente da OEA aprovou na sexta-feira, depois de dez dias de negociações, uma moção que pede para "evitar a presença de forças armadas ou de segurança na área onde sua presença possa provocar tensão". A organização pediu a retomada do diálogo bilateral.

A moção - aprovada por 22 dos 27 Estados-membros da OEA - foi recebida como um "triunfo" pela Costa Rica. Do outro lado, o presidente nicaraguense afirmou que o diálogo com a OEA "está morto". Além da Nicarágua, só a Venezuela, do presidente Hugo Chávez, votou contra a Costa Rica.

Venezuela. Chávez também classificou ontem de "infelizes" e "irresponsáveis" as declarações do secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, que havia chamado na véspera de "muito graves" e "inaceitáveis" as palavras do chefe do Comando Estratégico Operacional da Venezuela, general Henry Rangel. Para o militar, uma vitória da oposição venezuelana em 2012 "seria vender o país". Chávez, que está no poder desde 1998, defendeu o general e disse que Insulza "deveria saber que não pode se intrometer em assuntos relacionados à política interna venezuelana".

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