Presidente da Nicarágua rejeita adiantar eleições e acusa oposição de apoiar paramilitares

Em entrevista, presidente nicaraguense ameniza tom contra bispos mediadores e afirma que só deixará o comando do país em 2021

O Estado de S.Paulo

24 Julho 2018 | 02h46

MANÁGUA - O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que está aberto a continuar com os diálogos mediados pelos bispos do país, mas não adiantará as eleições presidenciais previstas para 2021. A matéria é a principal reivindicação de manifestantes da oposição que protestam desde abril pela renúncia do mandatário. Pelo menos 300 pessoas morreram durante confrontos com as forças do governo nos últimos três meses.

Em entrevista gravada à emissora americana Fox News, Ortega pontuou que seu governo foi eleito pelo povo e que somente em 2021, quando serão realizadas as próximas eleições presidenciais, verá se continuará ou não no comando do país. O presidente também amenizou o tom usado nas críticas aos bispos católicos, que atuam como mediadores entre governo e oposição. Na semana passada, Ortega afirmou que os clérigos eram golpistas que tramavam um golpe de Estado. Na entrevista, porém, o mandatário se mostrou mais conciliador e convidou a Igreja Católica a continuar com os diálogos.

Ortega também negou que tenha autoridade ou controle sobre grupos paramilitares que atuam com violência na repressão aos manifestantes. Segundo o presidente, são eles os responsáveis pelos homicídios nos últimos meses, e não as forças do governo nicaraguense. Ele disse que os paramilitares estariam sendo financiados por grupos oposicionistas e por "interesses estrangeiros".

A declaração contradiz o que é apontado por organizações internacionais e instituições nicaraguenses de defesa dos direitos humanos. Na semana passada, a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou um resolução que condena as violações aos direitos humanos cometidas pelas forças policiais do país e por grupos políticos partidários do governo.

Nas últimas semanas, séries de incursões de forças do governo com apoio de grupos paramilitares terminaram em conflito. A mais recente ocorreu na cidade de Masaya, reduto oposicionista que foi alvo de uma "operação limpeza" para restabelecer o controle de Ortega na região. / AP

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