Nicaraguan Presidency/AFP
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Ortega diz que opositores presos na Nicarágua são criminosos e agentes dos EUA para derrubá-lo

Cerca de 19 pessoas foram presas incluindo 5 candidatos à presidência, políticos, um banqueiro e até ex-companheiros de armas do presidente

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2021 | 22h54

MANÁGUA - O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, disse nesta quarta-feira, 23, que seus 19 opositores presos a cinco meses das eleições não são candidatos nem políticos, mas sim criminosos que atentaram contra a segurança do país ao buscarem organizar um golpe de Estado. Ortega está em busca de um quarto mandato consecutivo como presidente. 

"É isso que estamos seguindo, é isso que está sendo investigado e é isso que será punido no seu devido tempo", disse Ortega em cerimônia oficial transmitida pela televisão. Ele os acusou de serem "agentes do império ianque", que conspiram contra a Nicarágua para derrubar o governo. 

Até esta quarta-feira, cerca de 19 pessoas foram presas por, segundo versão oficial, incitar a interferência estrangeira e aplaudir sanções contra o governo sandinista, incluindo 5 candidatos à presidência, políticos, um banqueiro e até ex-companheiros de armas de Ortega. “Que eles não venham com a história de que são candidatos, não há candidato inscrito aqui, ainda não é hora de haver candidato”, disse Ortega. 

As prisões aumentaram a condenação internacional contra seu governo. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos denunciou nesta quarta-feira à Organização dos Estados Americanos (OEA) uma nova fase de repressão na Nicarágua, e pediu à Corte Interamericana de Direitos Humanos, órgão judicial do bloco regional, que proteja quatro opositores em extremas situações de risco. 

Ortega, um ex-guerrilheiro que já governou de 1979 a 1990, voltou ao poder em 2007 com a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) e permanece lá após duas reeleições sucessivas. Seus oponentes estimam que ele buscará um quarto mandato nas eleições de 7 de novembro.

Ele foi acusado pela oposição e pela comunidade internacional de governar de forma autoritária, após a repressão brutal às manifestações contra seu governo em abril de 2018, que deixaram mais de 300 mortos e milhares de exilados, segundo organizações de direitos humanos. Para o governo Ortega, essas manifestações foram uma tentativa de golpe de Estado patrocinada por Washington./AFP 

 

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