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Ortega diz que violência na Nicarágua é resultado da influência do Estado Islâmico

Presidente citou supostos casos de pessoas sequestradas e queimadas vivas; agências humanitárias culpam governo por cerca de 300 mortes no país desde abril, quando começaram os protestos

O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2018 | 11h57

MANÁGUA - O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, disse que a influência do terrorismo jihadista do Estado Islâmico (EI) chegou a seu país. Durante evento comemorando o 39º aniversário da Força Aérea nicaraguense e diante de centenas de soldados, ele disse que as mortes que aconteceram desde abril são consequência da violência terrorista.

"Parece que a influência do Estado Islâmico chegou por meio das redes (sociais) à Nicarágua", afirmou. Segundo ele, há algumas semanas, o país vive mergulhado em terror por causa de "práticas terroristas que não eram conhecidas".

Ortega citou supostos sequestros de cidadãos e policiais seguidos por tortura, afirmando que algumas pessoas foram queimadas vivas. "Dançaram, pularam e comemoravam ao redor do cadáver. Puro terrorismo", disse, culpando tais práticas por "grupos extremistas dos Estados Unidos e organizações americanas". 

"Terrível e não foi um caso, houve vários casos de irmãos nicaraguenses incendiados, queimados, entre eles dois irmãos policiais", continuou. Ortega argumentou que as supostas práticas nunca foram utilizadas pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FLSN) em sua luta contra a ditadura de Somoza.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) acusaram o governo da Nicarágua por "assassinatos, execuções extrajudiciais, maus-tratos, possível tortura e detenção arbitrária", o que Ortega nega.

Na terça-feira 31 de julho, os congressistas cubano-americanos Mario Díaz-Balart e Ileana Ros Lehtinen instaram o governo dos EUA a tomar mais ações para "eliminar o câncer do regime" de Ortega. Após reunião em Miami com líderes da comunidade nicaraguense, os congressistas pediram ao Executivo, ao Congresso e à comunidade internacional para se mobilizarem contra os números "alarmantes" de vítimas da repressão.

Ambos os congressistas fizeram uma lista de prioridades, apresentada a líderes do governo e ativistas nicaraguenses. Dentre os pontos, estão a libertação de presos políticos e a classificação dos paralimitares pró-governo como um "grupo terrorista". 

A Nicarágua atravessa a crise mais violenta desde a década de 1980 com entre 300 e 400 mortos, segundo agências humanitárias. O presidente, no entanto, afirmou na segunda-feira que o número de pessoas mortas era de 195. / EFE

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