Ortega quer controlar o Exército e a polícia

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, quer ter o controle direto sobre o Exército e a polícia, mas críticos disseram que isso marcaria a volta do regime autoritário dos anos 80, quando ele liderou uma revolução marxista contra o governo.Ortega enviou na segunda-feira ao Congresso o projeto de reforma que propõe a limitação do poder dos ministros da Defesa e do Interior sobre o Exército e a polícia e aumenta o do presidente. A proposta será discutida por oficiais de alto escalão do Exército e chefes policiais e começará a ser debatida pelo Congresso na sexta-feira.Ortega tomou o poder em 1979 numa revolução popular e levou a Nicarágua a uma guerra civil contra os rebeldes apoiados pelos EUA (conhecidos como Contra), antes de ser derrotado nas eleições em 1990. Ele foi eleito presidente em novembro e assumiu o cargo na semana passada, juntando-se a um crescente bloco anti-EUA na América Latina liderado pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez.Apesar de ter sido eleito com base em um moderado discurso de centro-esquerda, seus rivais e muitos empresários temem que ele siga o exemplo de Chávez e amplie o controle do governo sobre a economia. Ortega insiste que respeitará a propriedade privada e diz que quer ter boas relações com os EUA.Ainda nesta quarta-feira, o deputado Walmaro Gutiérrez disse que a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) está elaborando um pacote de reformas constitucionais que incluirá uma velha proposta de Ortega de criar uma "democracia direta" por meio de assembléias populares, como as que existem em Cuba e na Venezuela. O governo também anunciou as primeiras medidas sociais de impacto na população: a partir de agora, os serviços de saúde e de educação serão gratuitos, apesar da falta de recursos.

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