Ortega reconhece derrota na Nicarágua

O líder conservador Enrique BolaÏos do Partido Liberal Constitucionalista (PLC), é o virtual vencedor das eleições presidenciais de domingo na Nicarágua, reconheceu hoje seu adversário, Daniel Ortega, da esquerdista Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN). O chefe sandinista admitiu a derrota quando tinham sido apurados apenas 5,42% dos votos - 9.502 urnas. BolaÏos levava vantagem de 7,68% sobre Ortega - 53,03% a 45,35%. "Acataremos o mandato do povo, saudando a fórmula do Partido Liberal Constitucionalista", assegurou o dirigente sandinista. Por sua vez, o líder liberal declarou que só vai se pronunciar quando o Conselho Supremo Eleitoral (CSE) divulgar "um resultado mais amplo". Mas os partidários dele já festejavam a vitória pelas ruas centrais da capital nicaragüense e em outras cidades. "A Convergência Nacional (aliança liderada pela FSLN) vai apoiar a governabilidade do país, com uma oposição responsável que saberemos exercer de maneira construtiva", destacou Ortega. Ele disse que o povo nicaragüense deu uma demonstração de civismo ao participar em massa do pleito de domingo. "Vamos apoiar esta democracia, o fortalecimento e a independência das instituições, a luta contra a pobreza, o império da lei e o combate frontal à corrupção", disse o ex-chefe guerrilheiro e líder marxista da frente que, em 1979, depôs o ditador Anastasio Somoza. Um dos líderes da chamada "revolução sandinista", Ortega manteve-se no poder até 1990. Seu governo esquerdista e estatizante fechou o jornal La Prensa e manteve um longo confronto com os Estados Unidos, que apoiavam abertamente os rebeldes "contras". Estima-se que nesse conflito pelo menos 50 mil nicaragüenses perderam a vida. BolaÏos, próspero empresário, figura na lista de vítimas do sandinismo, tendo perdido algumas de suas propriedades e passado algum tempo na cadeia. Isso fez dele um ferrenho anti-sandinista. Sob forte pressão internacional, Ortega concordou em realizar eleições livres em 1990, sendo derrotado por Violeta Chamorro. Tentou retornar ao poder em 1996. Sofreu nova derrota para Arnoldo Alemán, que tinha em sua chapa BolaÏos como vice-presidente. Nesta campanha, Ortega trocou o discurso marxista e antiimperialista por palavras de conciliação e perdão. Mas não deixou de acusar o adversário de integrar um "governo corrupto". BolaÏos, que prometeu investigar a corrupção e punir os responsáveis, vai tomar posse em janeiro.

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