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Menahem Kahana/AFP
Menahem Kahana/AFP

Ortodoxos israelenses se adaptam após recordes de contágios pela covid-19

Sinagoga externa e plásticos de segurança passam a fazer parte do cotidiano em Bnei Brak

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2020 | 04h00

TEL AVIV - "Está claro! Somos o alvo das novas restrições", reclama Yonathan, usando uma máscara azul que cobre parte da barba, em uma calçada de Bnei Brak, região ultraortodoxa de Israel. A cidade, localizada nas proximidades de Tel Aviv, foi uma das áreas que entraram novamente em confinamento para conter uma segunda onda de casos de coronavírus. 

Na região, homens em sobrecasacas pretas apressam seus passos nas primeiras horas da manhã de segunda-feira, levantando uma fina nuvem de poeira em seu rastro, iluminada pelos primeiros raios de sol.

Máscara azul, branca ou improvisada: quase todos estão com a boca coberta, em contraste com os primeiros dias da epidemia.

Bnei Brak foi apontada em março como um mau exemplo no combate à pandemia: o governo precisou enviar militares para ajudar a polícia a aplicar medidas de isolamento no local.

Depois de registrar taxas recordes de infecção em todo o país, Israel decidiu reimpor um confinamento parcial, previsto para começar nesta terça-feira, 9, em cerca de 40 cidades, entre elas Bnei Brak.

“Devia ser para todo o país, não apenas para nós”, diz o sobrevivente do Holocausto Avraham, seus penetrantes olhos azuis espiando por cima dos óculos retangulares. "Por que nós?", pergunta.

Octogenário e ex-professor do ensino médio, Avraham vai recitar o Talmud em uma pequena sinagoga em seu bairro. Lá dentro, os homens estão separados por lâminas de plástico transparente, novidade trazida pela pandemia.

Para separar os jovens dos mais velhos, que estão sob maior risco, reitores frequentam a sinagoga, enquanto cadetes se reúnem em yeshivas (escolas talmúdicas) fora de Bnei Brak.

Um casamento em sua família foi antecipado para o domingo, de forma a evitar as novas restrições. “Os mais velhos ficamos lá (na cerimônia) até as 21 horas, e aí chegaram os mais novos. Organizamos horários para que o vírus não se espalhasse", explicou. “Minha esposa usou máscara durante a noite e até preferiu não comer para não ter que tirar”.

Um pouco mais adiante, Chanoch Vexler ora no primeiro andar de um prédio, observando através de uma janela cerca de vinte de seus parentes que rezam no pátio. Para protegê-lo, uma  uma sinagoga ao ar livre foi improvisada. Os fiéis agitam o ar, às vezes virando as páginas dos livros de orações por conta própria.

“É uma adaptação ao coronavírus”, diz Yaacov, 72, que usou sua máscara sanitária durante os quase 50 minutos de oração, enquanto estava conectado por um tubo ao seu dispositivo de oxigênio porque sofre de problemas pulmonares.

Os partidos religiosos, membros do governo de unidade do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, instaram-no nos últimos dias a optar por um novo confinamento menos estrito.

“Por causa da resistência dos religiosos, Netanyahu decidiu um toque de recolher à noite (das 19h às 17h) e não um confinamento total” nas cidades designadas, se parabeniza Yaacov, que gosta de rezar ao ar livre. / AFP

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