Ortodoxos são principais derrotados da eleição

Questão da laicidade do Estado ganha força em Israel e Netanyahu pode abrir mão de religiosos em busca de centristas

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2013 | 02h15

Para os partidos ortodoxos do governo de Israel, as más notícias não pararam com seu desempenho ruim na eleição de terça-feira. Se o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu quiser trazer a bordo grupos de centro, que defendem a laicidade do Estado, provavelmente terá de se afastar dos religiosos.

Avigdor Lieberman, líder do partido laico de extrema direita Yisrael Beiteinu e o companheiro de chapa de Netanyahu, tentou ontem convencer os religiosos a aceitar uma coalizão com o centrista Yesh Atid, que pede o fim das "regalias" do Estado aos ultraortodoxos. Lieberman disse que os "haredim", como eles são chamados, terão de "ter mais flexibilidade" diante da nova realidade da Knesset.

Além da divisão entre esquerda e direita, a política israelense é submetida a uma oposição entre laicos e religiosos - às vezes ainda mais dura que a primeira. Lieberman, por exemplo, enfureceu colegas religiosos da direita ao defender que todos os israelenses, incluindo ortodoxos, devem passar pelo serviço militar.

Há, no entanto, uma exceção: o partido Shas, que é sefardita (de judeus da Península Ibérica e do Norte da África), e não haredi, e está entre as cinco maiores bancadas no Parlamento. A legenda liderada pelo judeu marroquino Ovadia Yossef tradicionalmente integra o governo, incluindo quando ele é dominado pela esquerda laica.

No sistema multipartidário israelense, os religiosos, embora em partidos nanicos, muitas vezes carregaram a chave das coalizões de governo. Agora, eles têm 7 cadeiras. / AFP

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