Farid Kamrannia
Farid Kamrannia

Os 10 casos mais urgentes de crimes e ameaças contra jornalistas no mundo

'Estadão' publica mensalmente lista em parceria com a 'One Free Press Coalition'; confira as ocorrências denunciadas em abril

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2020 | 04h00

Estado faz parte da One Free Press Coalition, iniciativa entre jornais e veículos de comunicação do mundo todo para denunciar crimes e ameaças contra jornalistas. A missão é usar as vozes coletivas de seus membros, que alcançam mais de 1 bilhão de pessoas, para defender os jornalistas que estão sendo atacados por buscar a verdade. Neste mês, há registro de coação de jornalistas que cobrem a pandemia de coronavírus no mundo.

Além do Estado, fazem parte da One Free Press Coalition importantes veículos internacionais como os jornais Financial TimesThe Boston GlobeCorriere della SeraSüddeutsche ZeitungLe Temps e De Standaard; os portais HuffPost, EURACTIV e Yahoo News; as revistas ForbesFortuneTime e Republik, as agências de notícias The Associated Press e Reuters; e as emissoras de televisão CNN Money Switzerland e Deutsche Welle.

Veja os 10 casos destacados pela coalizão em abril de 2020:

1. Mohammad Mosaed (Irã)

Jornalista que alertou sobre pandemia é banido do trabalho e redes sociais

O repórter econômico freelancer aguarda data de julgamento após ser preso pela Guarda Nacional Iraniana e interrogado em fevereiro após críticas ao governo em redes sociais. Ele apontava a falta de preparação do país para lidar com o coronavírus. Até o julgamento, ele foi banido de praticar jornalismo e teve contas de redes sociais suspensas. No ano passado, Mosaed já havia sido preso por 16 dias.

2. Maria Ressa (Filipinas)

Editora presa em março teme possível condenação

A editora da publicação Rappler tem julgamento marcado para 24 de abril por acusações de 'difamação online' de um empresário em 2012. Ela pode ser condenada a até 6 anos de prisão.

3. Alaa Abdelfattah (Egito) 

Família do jornalista preso denuncia falta de ações de prevenção ao coronavírus

Enquanto o blogueiro está preso no Cairo, três de seus familiares enfrentam acusações de protesto ilegal por cobrarem ações de proteção aos detentos contra a pandemia do coronavírus. Eles foram soltos sob pagamento de fiança. Após ser preso por reportagens sobre política e defesa de direitos humanos, Abdelfattah enfrenta ameaças de prisão perpétua caso denuncie abusos na cadeia.

4. Chen Qiushi (China

Jornalista que cobria situação do coronavírus desapareceu há mais de 6 semanas

O jornalista freelancer não é visto desde 6 de fevereiro, quando disse à família que iria cobrir a situação em um hospital temporário que tratava pacientes do coronavírus. Ele viajou de Pequim à cidade de Wuhan em 24 de janeiro para reportar sobre a epidemia na região. De acordo com seus vídeos no YouTube, Qiushi relatou a falta de recursos e a dificuldade das equipes para lidar com o grande número de pacientes. Amigos que estão administrando sua conta no Twitter acreditam que ele está sob vigilância domiciliar.

5. Claudia Julieta Duque (Colômbia

Jornalista é alvo de ameaças orquestradas do governo

Depois de 19 anos de perseguição e censura ilegal, a premiada jornalista é novamente alvo de ameaças de morte. Segundo ela, ex-agentes de uma instituição do governo receberam ordens para rastrear suas atividades, infiltrar seu esquema de segurança e ameaçá-la.

6. Martin Doulgut (Chade) 

Editor preso fez greve de fome à espera de julgamento

O editor da publicação Salam Info teve julgamento de recurso adiado sem nova data prevista. Em setembro, ele foi considerado culpado por difamação e conspiração e condenado a três anos de prisão. O jornal privado publica reportagens sobre crime e política no Chade. 

7. Azimjon Askarov (Quirguistão)

Jornalista cumprindo prisão perpétua se prepara para último recurso

Um tribunal vai julgar em abril o último recurso do jornalista contra a sentença de prisão perpétua. O jornalista da etnia usbeque está preso há mais de 9 anos por produzir reportagens sobre violações de direitos humanos. Cartas enviadas da cadeia a familiares detalham seu estado de saúde se deteriorando, acesso limitado a medicamentos e punições de oficiais após dias de visita aos presos.

8. Roberto Jesús Quiñones (Cuba)

Jornalista enfrenta condições desumanas na cadeia

O jornalista cubano está há mais de seis meses preso, sob tratamento cada vez pior. Agentes ouvem todas as suas ligações telefônicas, já serviram a ele comida com vermes e, após saber que ele publicou secretamente enquanto preso, suspenderam visitas e o colocaram em cela solitária. Um tribunal o condenou a um ano de prisão por ‘resistência’ e ‘desobediência’ quando a polícia o espancou e o deteve por cobrir um julgamento para o CubaNet.

9. Ignace Sossou (Benin)  

Repórter enfrenta repetidas retaliações por seu trabalho

Em duas ocasiões diferentes no ano passado, a Justiça de Benin condenou à prisão o repórter do site independente Web TV. Na primeira, foi detido por um mês e pagou multa por publicar ‘informação falsa’ sobre negócios locais. Depois, recebeu sentença de um ano e meio e multa por ‘difamação e desinformação’ ao publicar declarações de um promotor.

10. Jamal Khashoggi (Arábia Saudita)

Líderes turcos e americanos continuam pressionando por Justiça para o jornalista assassinado

No final de março, autoridades turcas indiciaram 20 sauditas pelo assassinato do jornalista em Istambul em 2018, mas o papel do príncipe herdeiro no caso segue sem respostas. Parlamentares americanos e a noiva de Jamal, Hatice Cengiz, pediram a intervenção do Congresso dos EUA para a liberação de informações de agências de inteligência.

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