One Free Press Coalition
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Os 10 casos mais urgentes de crimes e ameaças contra jornalistas no mundo

'Estadão' publica mensalmente lista em parceria com a 'One Free Press Coalition'; confira as ocorrências denunciadas em maio

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2020 | 06h00

O Estado faz parte da One Free Press Coalition, iniciativa entre jornais e veículos de comunicação do mundo todo para denunciar crimes e ameaças contra jornalistas. A missão é usar as vozes coletivas de seus membros, que alcançam mais de 1 bilhão de pessoas, para defender os jornalistas que estão sendo atacados por buscar a verdade.

Além do Estado, fazem parte da One Free Press Coalition importantes veículos internacionais como os jornais Financial Times, The Boston Globe, Corriere della Sera, Süddeutsche Zeitung, Le Temps e De Standaard; os portais HuffPost, EURACTIV e Yahoo News; as revistas Forbes, Fortune, Time e Republik, as agências de notícias The Associated Press e Reuters; e as emissoras de televisão CNN Money Switzerland e Deutsche Welle.

Ao menos metade dos jornalistas na lista deste mês estão presos. Veja os 10 casos destacados pela coalizão em maio de 2020:

1. Azimjon Askarov (Quirguistão)

Jornalista encarcerado com saúde deteriorada e alto risco de contrair covid-19

Em 11 de maio, um tribunal quirguiz está agendado para ouvir o apelo final no caso de Azimjon Askarov, que foi esticado durante seus nove anos de prisão, apesar da persistente condenação internacional. O premiado jornalista étnico uzbeque reportava sobre direitos humanos quando foi preso sob acusações falsas que incluíam incitamento ao ódio étnico e cumplicidade no assassinato de um policial. A esposa de Askarov, Khadicha, escreveu recentemente uma carta ao presidente do Quirguistão pedindo a libertação do jornalista, dizendo que ele é "absolutamente inocente" e sofre de dores nos ossos e inflamação nas articulações.

2. Abdulkhaleq Amran, Akram al-Waleedi, Hareth Hameed e Tawfiq al-Mansouri (Iêmen)

Jornalistas iemenitas há muito mantidos em cativeiro na prisão e agora condenados à morte

Em 11 de abril, quatro jornalistas iemenitas - Abdulkhaleq Amran, Akram al-Waleedi, Hareth Hameed e Tawfiq al-Mansouri - foram condenados à morte sob a acusação de divulgar notícias falsas. Os indivíduos foram detidos por quase cinco anos pelo grupo Ansar Allah, conhecido como houthis, em guerra com o governo reconhecido internacionalmente, uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita. O advogado dos jornalistas diz que eles não tiveram representação no tribunal durante a sentença, que foi adiada por tanto tempo porque os líderes houthis estavam tentando libertá-los como parte de um acordo de troca com o governo iemenita.

3. Mahmoud al-Jaziri (Bahrein)

O repórter preso foi punido por levar à mídia o medo da população carcerária em relação ao coronavírus

Mahmoud al-Jaziri foi transferido para o confinamento solitário em 8 de abril como retaliação por um clipe de áudio que apareceu no canal de mídia dissidente Bahrain Today, no qual ele contestou relatos de que as autoridades do Bahrein haviam tomado medidas para proteger os detentos da propagação da covid-19. Repórter do jornal independente agora extinto Al-Wasat, o último dos jornais independentes do país, Al-Jaziri está preso desde dezembro de 2015 com uma sentença de 15 anos por acusações de pertencer a um grupo terrorista.

4. Solafa Magdy (Egito)

Condições da prisão aumentam o risco de covid para jornalista com problemas de saúde

A superlotação das prisões egípcias - como a de Al-Qanater, que abriga Solafa Magdy - e condições desumanas ameaçam transformar os locais de detenção em aglomerados de doenças. Magdy, jornalista freelancer multimídia, e seu marido estão presos desde novembro de 2019 sob a acusação de "pertencer a um grupo proibido" e "espalhar notícias falsas". Ela sofreu negligência médica e até recusou tratamento por medo de contrair uma infecção no hospital não higiênico da instalação. Em abril, as autoridades prisionais proibiram a mãe de Magdy de visitar e contribuir com dinheiro e comida para ela.

5. Darvinson Rojas (Venezuela)

Jornalista freelancer teve pais presos por sua reportagem sobre covid-19

O jornalista freelancer venezuelano Darvinson Rojas passou 13 dias detido depois que agentes da polícia apareceram em sua casa alegando estar realizando um teste de covid-19. Na realidade, eles a invadiram, o prenderam violentamente e depois o interrogaram sobre as fontes de sua reportagem. Segundo a organização local de liberdade de imprensa Espacio Publico, Rojas foi apresentado secretamente perante um juiz em 22 de março e acusado sob a polêmica “Lei Anti-Ódio” por incitação ao ódio e instigação. Rojas teve negado seu direito a um advogado particular e foi representado por um defensor público nomeado pelo tribunal.

6. Truong Duy Nhat (Vietnã)

Autoridades mudam acusações para condenar o blogueiro a 10 anos atrás das grades

Truong Duy Nhat, um blogueiro do serviço de idioma vietnamita da Radio Free Asia, financiado pelo Congresso dos EUA, desapareceu de um shopping em Bangkok em janeiro de 2019 e dois dias depois estava em prisão preventiva, onde permaneceu 15 meses antes da sentença de 9 a 10 anos de prisão. Depois que a polícia o acusou inicialmente de adquirir bens ilegalmente, mas não conseguiu obter provas suficientes, um julgamento de meio dia o acusou de "abusar de sua posição e poder enquanto estava de serviço" como repórter. Anteriormente, ele cumpriu dois anos de prisão por blogar críticas ao Partido Comunista.

7. Elena Milashina (Rússia)

Jornalista teme por sua vida, depois de líder rejeitar reportagens sobre coronavírus

Em 12 de abril, a correspondente do jornal independente Novaya Gazeta, Elena Milashina, escreveu que os chechenos em quarentena haviam parado de relatar sintomas de coronavírus por medo de serem rotulados como "terroristas". O líder da República Ramzan Kadyrov chamou isso de "absurdo" e culpou o Serviço de Segurança Federal por não silenciá-la. Ela pediu proteção ao Comitê de Investigação da Rússia e ao Ministério Público, mas não obteve resposta e disse ao CPJ por telefone que está "realmente com medo, pois as ameaças de Kadyrov são realmente sérias". Seis jornalistas que cobrem a Chechênia foram assassinados na Rússia desde 1992.

8. Mir Shakil ur Rehman (Paquistão)

Para silenciar as críticas à preparação para uma pandemia, o governo tem como alvo o canal de transmissão e seu CEO

O CEO, proprietário e editor-chefe do Jang Media Group, Mir Shakil-ur-Rehman, foi preso em 12 de março por um caso envolvendo alegações de que ele adquiriu ilegalmente terras em 1986. No dia seguinte, a Autoridade Reguladora de Mídia Eletrônica do Paquistão ordenou que distribuidores de cabo em todo o país parassem de transmitir a Geo TV, que pertence ao Jang Media Group e é o maior canal de notícias do país, ou migrasse suas transmissões para um canal mais difícil de encontrar. Apesar de nenhuma acusação apresentada, Shakil-ur-Rehman teve a fiança negada em 7 de abril. O canal criticou as medidas do governo contra o coronavírus.

9. Yayesew Shimelis (Etiópia)

Jornalista acusado de "discurso de ódio e desinformação" pela cobertura da covid-19

Em 26 de março, o jornalista Yayesew Shimelis publicou no Facebook e no YouTube uma reportagem sobre o coronavírus que o Ministério da Saúde da Etiópia condenou como falsa. Ele disse a um amigo que temia retaliação do governo - e no dia seguinte foi preso na casa de um parente. Em três ocasiões, de 15 a 21 de abril, a polícia não respeitou as ordens judiciais para libertar Yayesew, e, no lugar, apresentou novas alegações contra ele. Ele foi libertado sob fiança até uma audiência de 15 de maio sob a acusação de distribuir desinformação, punível com até três anos de prisão ou uma multa de até U$ 3 mil dólares sob uma lei promulgada recentemente.

10. Jamal Khashoggi (Arábia Saudita)

A pressão persiste para que o Reino libere jornalistas presos - e traga justiça por assassinatos descarados

A Arábia Saudita prendeu 26 jornalistas em 2019, segundo o CPJ. E ainda não entregou justiça no assassinato de 2018 do colunista do Washington Post, Jamal Khashoggi. As descobertas dos EUA e da ONU apontam para um "assassinato extrajudicial" envolvendo o príncipe herdeiro saudita e exigindo uma investigação criminal independente. Por seu turno, a Turquia indiciou 20 cidadãos sauditas em 25 de março por acusações de assassinato e incitação relacionadas ao assassinato de Khashoggi.

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