One Free Press Coalition
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Os 10 casos mais urgentes de crimes e ameaças contra jornalistas no mundo

'Estadão' publica mensalmente lista em parceria com a 'One Free Press Coalition'; confira as ocorrências denunciadas em dezembro

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2020 | 03h00

O Estadão faz parte da One Free Press Coalition, iniciativa entre jornais e veículos de comunicação do mundo todo para denunciar crimes e ameaças contra jornalistas. A missão é usar as vozes coletivas de seus membros, que alcançam mais de 1 bilhão de pessoas, para defender os jornalistas que estão sendo atacados por buscar a verdade.

Além do Estadão, fazem parte da One Free Press Coalition importantes veículos internacionais como os jornais Financial Times, The Boston Globe, Corriere della Sera, Süddeutsche Zeitung, Le Temps e De Standaard; os portais HuffPost, EURACTIV e Yahoo News; as revistas Forbes, Fortune, Time e Republik, as agências de notícias The Associated Press e Reuters; e as emissoras de televisão CNN Money Switzerland e Deutsche Welle.

Confira os 10 casos mais urgentes de crimes e ameaças contra jornalistas no mundo destacados pela coalizão no mês de dezembro:

1. Ahmet Altan (Turquia)

Jornalista sênior especialmente vulnerável ao coronavírus na prisão.

Ahmet Altan, 70, passou mais de 1.500 dias atrás das grades e, de acordo com seu advogado, está cercado por três celas com possíveis infectados por covid-19. Ex-editor-chefe do jornal Taraf, Altan está detido desde setembro de 2016. Em 2018, um tribunal condenou o jornalista à prisão perpétua. Em 2019, a pena mudou para 10 anos e meio. O novo julgamento o condenou por “ajudar uma organização [terrorista] sem ser um membro” durante a tentativa fracassada de golpe na Turquia e o expurgo em 2016.

2. Mahmoud Hussein Gomaa (Egito)

Táticas impedem a libertação de jornalista egípcio preso

Em dezembro deste ano, Mohamed Hussein Gomaa terá passado quatro anos atrás das grades - o mais longo período de detenção preventiva de qualquer jornalista egípcio que atualmente aguarda audiência. Gomaa trabalhou com a Al-Jazeera, contribuindo inclusive para um documentário sobre o alistamento militar no Egito. Funcionários do governo o prenderam em 2016 e afirmaram que o material era falso e tinha objetivo de "espalhar o caos". Gomaa deveria passar para liberdade condicional em meados de 2019, mas sua detenção foi repetidamente prorrogada. Seu colega Mohamad Ibrahim também está suportando esta "política de porta giratória", onde novas acusações são feitas para manter indivíduos em prisão preventiva, apesar das ordens de libertação do tribunal criminal.

3. Mohammad Mosaed (Irã)

Teerã condena jornalista à prisão para silenciar reportagens sobre o governo.

O jornalista freelance Mohammad Mosaed foi preso em 2019 por causa de uma postagem no Twitter, depois liberado no início de 2020, apenas para ser preso novamente em fevereiro e condenado a quase cinco anos de prisão. Por causa do tuíte, feito durante o bloqueio da internet no Irã no ano passado, e por críticas ao governo neste ano, as acusações da Mosaed incluem “conluio contra segurança nacional” e “propagação de propaganda contra o sistema”. Sua sentença inclui dois anos proibição de atividades relacionadas ao jornalismo e uma proibição de dois anos de usar todos os dispositivos de comunicação.

4. Solafa Magdy (Egito)

Jornalista enfrentando negligência médica e condições carcerárias desumanas.

A repórter freelance Solafa Magdy sofreu negligência médica deliberada e está em condições carcerárias desumanas, em alto risco de contrair covid-19, como o jornalista egípcio Mohamed Monir, que morreu de o coronavírus neste verão, enquanto estava em prisão preventiva. Magdy foi presa em novembro de 2019 por sua cobertura de imigração e direitos humanos no Cairo. 

5. Zhang Zhan (China)

Jornalista independente preso por reportagem sobre coronavírus, agora em greve de fome.

Desde o início de fevereiro, a jornalista independente Zhang Zhan vinha fazendo reportagens sobre Wuhan e criticando medidas adotadas pelo governo para conter o coronavírus. Ela desapareceu em 14 de maio. No dia seguinte, agentes de segurança emitiram um aviso informando que Zhang havia sido presa por “provocar brigas e problemas”. Seu ex-advogado renunciou ao caso em outubro devido à pressão e disse que Zhang está em greve de fome há seis meses, com ela três companheiros de cela se revezando para alimentá-la. 

6. Wan Noor Hayati Wan Alias ​​(Malásia)

Jornalista lutando para encontrar trabalho enquanto enfrenta processo por comentários no Facebook.

A jornalista Wan Noor Hayati Wan Alias ​​está enfrentando processo legal por três comentários que postou no Facebook sobre o surto de covid-19. Citando "causar medo ou alarme público", o governo da Malásia tenta estabelecer uma pena máxima de dois anos de prisão por cada postagem individual. Hayati, que já havia trabalhado para o diário malaio Berita Harian e para o jornal inglês New Straits Times, perdeu o emprego devido à prisão e está lutando para se sustentar como freelancer.

7. Hopewell Chin’ono (Zimbábue)

Jornalista que entrou e saiu da prisão por denunciar corrupção, pagando fiança duas vezes.

O premiado jornalista Hopewell Chin’ono foi preso antes de um protesto nacional anticorrupção e acusado de incitamento, após escrever sobre uma suspeita de fraude envolvendo o Ministério da Saúde que levou à prisão e demissão do responsável pela pasta. Após 45 dias em detenção preventiva em uma prisão de segurança máxima, Chin'ono foi libertado sob fiança em setembro e, em seguida, preso novamente em sua casa em novembro, originalmente por desacato ao tribunal, mas posteriormente acusado de obstrução da justiça por um tuíte.. Ele originalmente teve sua fiança negada e depois foi liberado em 20 de novembro. Os  promotores alegaram que Chin’ono obstruiu a justiça por "colocar em risco a integridade" de procedimentos legais contra ele no caso de incitamento, bem como um caso contra um parente do presidente Emmerson Mnangagwa.

8. Bárbara Barbosa (Brasil)

Jornalista impedida de cobrir a pandemia no Brasil.

Em 2 de novembro, um grupo de cerca de nove homens e mulheres não identificados assediou e ameaçou a jornalista Bárbara Barbosa, o cinegrafista Renato Soder e funcionários da NSC TV de Florianópolis enquanto a equipe reportava sobre o descumprimento de medidas contra covid-19 na área. Barbosa disse que ela recebeu mensagens hostis no Instagram depois que o incidente foi relatado pela mídia local. .

9. Aleksandr Pichugin (Rússia)

Jornalista considerado culpado por reportar sobre o coronavírus e condenado a pagar multa.

Em 11 de novembro, Aleksandr Pichugin foi considerado culpado de “disseminar informações falsas que representam uma ameaça à vida e à saúde dos cidadãos” e condenado a pagar uma multa de US$ 3.920. O caso foi originado após o jornalista faze rum comentário político e satírico em um canal do Telegram, criticando a Igreja Ortodoxa Russa por não tomar medidas de segurança para proteger os fiéis da covid-19.

10. Gautam Navlakha (Índia)

Acusações contra jornalista experiente ameaçam prorrogação da pena de prisão.

Um ativista de direitos humanos e colunista do site de notícias Newsclick, Gautam Navlakha está preso desde abril e enfrenta acusações por supostas ligações com militantes maoístas e por supostamente fazer parte de uma conspiração para assassinar o premiê Narendra Modi. Ele tem escrito com frequência sobre questões relacionadas à Caxemira e ao separatismo maioísta. Navlakha, que tem 60 anos, afirma sua inocência. Ele disse temer a exposição ao coronavírus enquanto está na prisão.

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