Os 10 casos mais urgentes de crimes e ameaças contra jornalistas no mundo

'Estadão' publica mensalmente lista em parceria com a 'One Free Press Coalition'; confira as ocorrências denunciadas em outubro

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2021 | 05h00

Estadão faz parte da One Free Press Coalition, iniciativa entre jornais e veículos de comunicação do mundo todo para denunciar crimes e ameaças contra jornalistas. A missão é usar as vozes coletivas de seus membros, que alcançam mais de 1 bilhão de pessoas, para defender os jornalistas que estão sendo atacados por buscar a verdade.

Além do Estadão, fazem parte da One Free Press Coalition importantes veículos internacionais como os jornais Financial Times, The Boston Globe, Corriere della Sera, Süddeutsche Zeitung, Le Temps e De Standaard; os portais HuffPost, EURACTIV e Yahoo News; as revistas Forbes, Fortune, Time e Republik, as agências de notícias The Associated Press e Reuters; e as emissoras de televisão CNN Money Switzerland e Deutsche Welle.

Confira os 10 casos mais urgentes de crimes e ameaças contra jornalistas no mundo destacados pela coalizão no mês de outubro:

1. Omar Radi (Marrocos)

Desde 2018, as autoridades marroquinas entraram com acusações de crimes sexuais contra vários jornalistas independentes no país em um esforço para censurá-los. O jornalista investigativo Omar Radi é um dos 180 jornalistas identificados pela organização sem fins lucrativos Forbidden Stories como alvos de spyware de vigilância. Em julho passado, ele foi condenado a seis anos de prisão sob acusações de agressão sexual e enfraquecimento da segurança do Estado por meio de espionagem e recebimento ilegal de fundos estrangeiros.

2. Khadija Ismayilova (Azerbaijão)

Uma proeminente jornalista investigativa, Khadija Ismayilova é conhecida por suas denúncias de corrupção no alto escalão do governo, envolvendo a família do presidente Ilham Aliyev. Ela foi condenada à prisão em 2014 e cumpriu 538 dias antes de sua libertação. Em uma análise forense de seu telefone, a Anistia Internacional detectou vários traços de atividade que vinculou ao spyware Pegasus, datando de 2019 a 2021.

3. Sevinj Vagifgizi (Azerbaijão)

Sevinj Vagifgizi, correspondente do canal de mídia independente Meydan TV, com sede em Berlim e foco no Azerbaijão, foi vítima do spyware Pegasus entre 2019 e 2021. Ela já havia estado na mira das autoridades do Azerbaijão e foi proibida de deixar o país de 2015 a 2019. Em 2019, ela enfrentou acusações de difamação depois de relatar sobre pessoas votando com cédulas pré-preenchidas emitidas pelo governo.

4. Szabolcs Panyi (Hungria)

Os relatórios mostram que, em 2019, o spyware Pegasus tinha como alvo Szabolcs Panyi, além de outros quarto jornalistas húngaros, à medida que as condições para o jornalismo independente se tornavam cada vez mais sombrias no país. Panyi é jornalista da Direkt36.hu, conhecido por reportar sobre questões como corrupção governamental.

5. Ricardo Calderón (Colômbia)

Ao longo de 2019 e 2020, Ricardo Calderón, então diretor da equipe de investigação da revista Semana, foi alvo de ameaças, assédio e vigilância relacionados a reportagens sobre os militares colombianos, incluindo esforços para monitorar jornalistas. Este ano, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos determinou que Calderón enfrentava um perigo “grave e iminente” de ameaças e vigilância por militares colombianos e outras fontes.

6. Paranjoy Guha Thakurta (Índia)

Paranjoy Guha Thakurta, jornalista e escritor, enfrentou processos de difamação civis e criminais prolongados e foi recentemente ameaçado de prisão. A Anistia Internacional detectou indícios forenses ligados ao spyware Pegasus desde o início de 2018 no seu telefone, quando começou a escrever sobre partidos políticos que utilizavam as redes sociais para campanhas políticas e a investigar os ativos estrangeiros de uma rica família de empresários indianos.

7. Jamal Khashoggi (Arábia Saudita)

Citizen Lab, uma equipe da Universidade de Toronto que estuda mídia, segurança e direitos humanos, descobriu que o spyware Pegasus havia infectado o telefone do dissidente da Arábia Saudita Omar Abdulaziz, que estava em contato próximo com o colunista do Washington Post Jamal Khashoggi antes do último ser assassinado por agentes sauditas em outubro de 2018. Pesquisas descobriram que familiares e colegas de jornalistas costumam ser alvos de vigilância.

8. Ismael Bojórquez e Andrés Villarreal (México)

Depois que Javier Valdez Cárdenas, fundador do outlet mexicano Río Doce, foi assassinado em 2017, o diretor de Río Doce e seu colega receberam tentativas de infecção em seus telefones com spyware Pegasus, com algumas das tentativas alegando ter informações sobre a morte de Valdez.

9. Carmen Aristegui (México)

Aristegui Noticias, o veículo administrado por um dos repórteres mais conhecidos do México, expôs vários escândalos de corrupção. Carmen Aristegui se tornou ao lado de seu filho, um menor de idade, com links de spyware da NSO entre 2015 e 2016, de acordo com o Citizen Lab.

10. Ahmed Mansoor (Emirados Árabes Unidos)

Pesquisadores relatam que o proeminente blogueiro político Ahmed Mansoor foi alvo de hackers várias vezes, a partir de 2011, quando o CPJ documentou ameaças e ações legais relacionadas a seu blog.

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