MIZAN NEWS/AFP/Arquivos
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Os 10 casos mais urgentes de crimes e ameaças contra jornalistas no mundo

'Estadão' publica mensalmente lista em parceria com a 'One Free Press Coalition'; confira as ocorrências denunciadas em novembro

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2021 | 05h00

Estadão faz parte da One Free Press Coalition, iniciativa entre jornais e veículos de comunicação do mundo todo para denunciar crimes e ameaças contra jornalistas. A missão é usar as vozes coletivas de seus membros, que alcançam mais de 1 bilhão de pessoas, para defender os jornalistas que estão sendo atacados por buscar a verdade.

Além do Estadão, fazem parte da One Free Press Coalition importantes veículos internacionais como os jornais Financial Times, The Boston Globe, Corriere della Sera, Süddeutsche Zeitung, Le Temps e De Standaard; os portais HuffPost, EURACTIV e Yahoo News; as revistas Forbes, Fortune, Time e Republik, as agências de notícias The Associated Press e Reuters; e as emissoras de televisão CNN Money Switzerland e Deutsche Welle.

Confira os 10 casos mais urgentes de crimes e ameaças contra jornalistas no mundo destacados pela coalizão no mês de novembro:

1. Roohollah Zam (Irã)

Autoridades iranianas executaram o jornalista Zam por enforcamento em dezembro de 2020, após sentenciá-lo à morte por sua cobertura dos protestos de 2017. Agentes de inteligência do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) atraíram Zam do exílio para o Iraque, onde foi sequestrado em 2019 e levado para o Irã.

2. Tara Singh Hayer (Canadá)

Hayer, editor do Indo-Canadian Times, o maior e mais antigo semanário punjabi do Canadá, foi morto a tiros na garagem de sua casa em Vancouver em 1998. Dez anos antes, ele havia ficado parcialmente paralisado e confinado a uma cadeira de rodas após uma tentativa de assassinato. Nos meses anteriores, Hayer informou à polícia que havia recebido várias ameaças.

3. Valério Luiz de Oliveira (Brasil)

O jornalista esportivo e comentarista do Rádio Jornal foi morto em julho de 2012, após ser baleado quatro vezes por um atirador não identificado em uma motocicleta. Os julgamentos dos suspeitos foram repetidamente adiados e suspensos em 2020, sem datas futuras definidas para os tribunais.

4. Regina Martínez Pérez (México)

Martínez, uma repórter veterana da revista nacional Proceso, conhecida por suas reportagens detalhadas sobre cartéis de drogas e as ligações entre o crime organizado e funcionários do governo, foi morta em 2012 depois de cobrir várias prisões de alto nível. Um relatório de 2021 da organização A Safer World For The Truth encontrou fortes indícios de obstrução da justiça pelas autoridades locais no caso dela.

5. Nikolai Andrushchenko (Rússia)

O jornalista veterano Andrushchenko morreu em 2017 devido a ferimentos sofridos em um espancamento de agressores desconhecidos, e houve pouco progresso na investigação. Ele era conhecido por suas críticas ao presidente Vladimir Putin e seus relatórios investigativos alegando corrupção e abusos dos direitos humanos. Ele havia sofrido ataques semelhantes no passado.

6. Sardasht Osman (Iraque)

Osman, um colaborador de vários sites de notícias independentes, foi encontrado morto a tiros em 2010. Antes de seu assassinato, ele havia recebido telefonemas ameaçadores dizendo-lhe para parar de escrever sobre o Governo Regional do Curdistão. As autoridades afirmam que ele foi morto por um membro do grupo extremista Ansar al-Islam; no entanto, o CPJ e outros grupos de imprensa disseram que o relatório carece de credibilidade.

7. Ahmed Hussein-Suale Divela (Gana)

Divela, membro do jornal investigativo Tiger Eye Private Investigations, onde cobria assuntos como esportes, corrupção e direitos humanos, foi baleado por dois homens não identificados em uma motocicleta em 2019. Divela disse ao CPJ em 2018 que pessoas haviam tentado atacá-lo e que temia por sua vida depois que um político fez comentários sobre ele na TV.

8. Sisay Fida (Etiópia)

Sisay, coordenador e repórter da Oromia Broadcasting Network, estava voltando para casa de um casamento quando foi baleado e morto em maio deste ano. Houve pouco progresso em seu caso, e colegas acreditam que ele foi assassinado em retaliação por suas reportagens.

9. Gauri Lankesh (Índia)

Assaltantes não identificados atiraram e mataram Lankesh do lado de fora de sua casa em Bangalore em 2017, quando ela voltava do trabalho. Lankesh publicou e editou Gauri Lankesh Patrike, um tabloide semanal em Kannada conhecido por suas críticas ao extremismo de direita e ao sistema. Embora pessoas suspeitas de terem ligações com seu assassinato tenham sido detidas, a impunidade permanece.

10. Sagal Salad Osman (Somália)

Estudante universitária e produtora de um programa infantil na Rádio Mogadíscio estatal, Osman foi mortoa em 2016. Ela estava saindo do campus quando três homens armados atiraram em sua cabeça. A Somália está na pior posição no ranking de impunidade em casos de assassinato de jornalistas.

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