''Os americanos estão cansados da guerra no Afeganistão''

ENTREVISTA - Robert Gates: Secretário americano da Defesa;

Julian Barnes, GLOBAL VIEWPOINT, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

22 de julho de 2009 | 00h00

Este ano, o sr. fez mudanças drásticas no Afeganistão. Olhando retrospectivamente, será que não deveria ter feito isto antes?Em janeiro de 2007, ampliei uma brigada da 10ª Divisão e acrescentei outra no fim do ano. A ideia de que negligenciei o Afeganistão está errada. Isto era tudo o que tinha à disposição. No ano passado, melhoramos o sistema de inteligência, vigilância e reconhecimento. Há meses começamos a operar com veículos protegidos contra bombas. Mas há uma abordagem diferente com o governo de Barack Obama?Desde que assumi este cargo, expus minha preocupação a respeito do Afeganistão, especificamente com o fato de que nos concentrávamos demais no governo central e não o bastante nas províncias. Fiz no país o que era possível com as forças à disposição na época. Houve um grande aumento muito antes da posse deste governo, mas isto não foi nada em comparação com o que o presidente Obama fez.Acredita que as medidas dos últimos meses acabarão estendendo a duração da guerra? A duração da guerra no Afeganistão dependerá do que acontecer no campo. Acho que precisamos mostrar que estamos fazendo progressos no início de 2010. Mas não venceremos até meados do próximo ano, nem estaremos perto de uma vitória. As perspectivas são de longo prazo. O público americano terá paciência de esperar?Estamos no rumo certo porque não nos encontramos em nenhum impasse, nem sofremos baixas consideráveis. Então o prazo de Washington se estenderá. Mas depois da experiência no Iraque, ninguém está disposto a demorar muito mais em um lugar onde não há evidências de progressos. Os Estados Unidos estão em guerra há oito anos. As tropas estão cansadas, o povo americano está muito cansado.A aliança da Otan está funcionando melhor no Afeganistão?Tenho a impressão de que as coisas estão funcionando melhor. Os aliados procuram melhorar sua capacidade, de acordo com a estrutura das suas políticas internas. Tenho a impressão de que está havendo de fato um esforço, seja em termos de civis, de treinamento das forças de polícia, da polícia paramilitar (milícias afegãs) ou de um aumento das tropas. E tem havido uma coragem política extraordinária, porque nossos parceiros - canadenses, holandeses, dinamarqueses - têm registrado baixas devastadoras em relação ao tamanho de sua contribuição. E os britânicos tiveram algumas semanas realmente duras.

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