AFP/ Cecilia Piedrabuena
AFP/ Cecilia Piedrabuena

Os cinco amigos argentinos mortos na tragédia em Nova York

Dez amigos de Rosário que comemoravam nos EUA 30 anos de amizade andavam de bicicleta, lado a lado, quando foram vítimas de terrorista

O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2017 | 05h00

Era a primeira vez que os dez amigos argentinos saíam juntos desde que chegaram à Nova York, no sábado, em uma viagem planejada por mais de um ano. Era a comemoração de 30 anos de amizade do grupo, que se conheceu no Instituto Politécnico Superior General San Martín, da cidade de Rosário, em 1982.

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Ariel Erlij, de 48 anos, o mais bem-sucedido dos dez amigos, foi o mentor da excursão. Ele planejou a reunião para celebrar aquele aniversário. Empresário industrial, dono da empresa Ivanar, uma siderúrgica especializada em aço para construção, Ariel fazia questão de que os bons amigos estivessem juntos. Quando o grupo começou os preparativos, em um churrasco de fim de ano em 2016, Juan Pablo Trevisan, que tem uma empresa de instalação de pisos, e Ariel Benvenuto, arquiteto, disseram que não podiam pagar para ir aos EUA. Erlij fez questão de bancar a viagem e a hospedagem dos dois.

Os outros sete amigos eram todos profissionais de sucesso. Escolheram viajar para os Estados Unidos para poder se reencontrar com dois amigos que moravam no país, Martín Marro e Guillermo Manchini. Marro, biotecnólogo e está em Boston desde 2015. Manchini vive no país há uma década.

O grupo desembarcou em Nova York no sábado, mas Ariel teve compromissos pessoais e só chegou no domingo, em um voo particular. Todos haviam feito passeios em grupos menores, comprado lembranças para as famílias, mas não tinham se reunido.

Os planos para a segunda-feira eram simples. Passear pelo Central Park, perto de onde estavam hospedados, e depois andar de bicicleta. A ideia era seguir pela ciclovia que margeia o Rio Hudson. O percurso, de quase dez quilômetros, terminaria na ponte do Brooklyn. Segundo sobreviventes, eles andavam na ciclovia em duplas, jogando conversa fora e rindo. Foi quando perceberam a chegada da picape dirigida por Sayfullo Sipov. Salvaram-se os que estavam perto do canteiro central da ciclovia.

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Em entrevista à rádio argentina LT8, a mulher de Ariel Benvenuto, um dos sobreviventes, descreveu o ocorrido. “Ariel contou que era o último da fila, estava na direita, perto do canteiro central, quando ouviu uma acelerada forte”, disse Cecilia Piedrabuena. “Quando se virou, viu a picape e se jogou para o lado. Ele diz que a caminhonete passou a vinte centímetros dele”. Segundo Cecilia, quando ele se recuperou da queda, e viu a cena a sua frente, Ariel caiu em prantos. 

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O mentor da viagem, Ariel Erlij, morreu na hora, assim como Hernán Mendoza, Diego Angelini e Alejandro Pagnucco. Hernán Ferruchi morreu no hospital. Martín Ludovico Marro, que mora em Boston, está internado. Ele ainda não sabe o que aconteceu. O grupo de sobreviventes só pretende voltar para a Argentina depois de visitar Marro, para contar a ele a notícia.

O ataque comoveu a Argentina. “O atentado nos abateu muito, a todos os argentinos”, afirmou ontem o presidente da Argentina, Mauricio Macri. “Na luta contra o terrorismo não há zonas cinzentas. Todos temos que estar comprometidos dos pés à cabeça”. 

 

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