Leo Ramirez
Leo Ramirez

Os cinco dias de silêncio de Chávez

Presidente venezuelano não aparece em público desde que voltou de Cuba na sexta-feira

Abraham Zamorano, BBC

17 Maio 2012 | 15h12

CARACAS - Os venezuelanos foram advertidos. O presidente Hugo Chávez anunciou ao chegar de Cuba na sexta-feira que iria "seguir estritas ordens médicas".

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Isso resultou em cinco dias de silêncio incomuns a um presidente que costumava realizar longas intervenções diárias na mídia.

Embora Chávez já houvesse reduzido o tempo na mídia desde o início do tratamento contra o câncer, os cinco dias de silêncio são notícia especialmente porque a campanha para as eleições presidenciais de outubro esquenta a cada dia.

Chávez aparaceu pela última vez em 11 de maio, depois de voltar de Cuba onde, segundo informações oficiais, fez sua última sessão de radioterapia. Naquele dia ele foi visto descendo as escadas do avião com vigor.

"Eu tenho certeza de que vou aos poucos ocupando meu lugar devido, na vanguarda da batalha", disse ele. Desde então, foram enviadas duas mensagens no Twitter, no domingo. Uma parabenizava as mães pelo dia e outra, celebrava a vitória do venezuelano Pastor Maldonado no GP da Espanha de F1.

O silêncio vem aumentando, assim como o mistério e a especulação sobre onde anda o presidente. Na terça-feira, o governo realizou uma reunião de gabinete liderada pelo vice-presidente Elias Jaua, que disse que Chávez havia dado"orientações" para o encontro.

Desde então, nada. Nem seu partido, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) soube falar do paradeiro de Chávez.

"Nós não temos a agenda do presidente (...). O comandante fala por si", disse Blanca Eekhout, integrante do PSUV.

Campanha

No entanto, o clima no país é cada vez mais de campanha eleitoral, para o pleito de 7 de outubro, tanto do lado governista como da oposição.

O candidato oposicionista, Henrique Capriles, está viajando pelo país de "casa em casa", encontrando-se com cidadãos de várias localidades.

O oficialismo realiza eventos do PSUV e do governo. E, mesmo Chávez não estando presente, ainda assim ele é sempre o protagonista indiscutível.

Seus simpatizantes dizem acreditar que ele vai se recuperar e vencer as eleições. Uma crítica repetida da oposição é a de que a Venezuela estaria sendo "governada pelo Twitter."

No entanto, parece que a ausência não estaria prejudicando o desempenho eleitoral do presidente, que lidera em praticamente todas as pesquisas por uma margem mais ou menos confortável, dependendo do quem fez o levantamento.

"Há uma campanha na ausência de Chávez, mas sua presença é fortemente midiática, por meio da publicidade e propaganda. Além disso, recentes anúncios de distribuição de recursos o favorecem," disse o cientista político da Universidade Central de Caracas Alvarez Anjo à agência de notícias AFP.

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