Jack Taylor/Pool via REUTERS
Jack Taylor/Pool via REUTERS

Os conflitos entre Trump e May

Ao contrário do que a relação história de amizade entre EUA e Reino Unido pressupõe, os líderes dos dois países têm relação complicada e marcada por provocações

O Estado de S.Paulo

13 Julho 2018 | 11h59

LONDRES - Quando a primeira-ministra britânica, Theresa May, se tornou a primeira líder da comunidade internacional a visitar o presidente Donald Trump na Casa Branca, em 2017, parecia que a amizade histórica entre as duas nações permaneceria intacta. No entanto, diversas críticas de Trump a May se seguiram e a mais recente foi publicada pelo jornal The Sun na quinta-feira 12.

+ May diz que buscará 'acordo ambicioso' com EUA após Brexit; Trump nega críticas à premiê

A entrevista é cheia de críticas à primeira-ministra e tem o agravante de ter sido publicada durante a visita de Trump ao Reino Unido.

+ Trump e Melania são recebidos por May com baile de gala no Reino Unido

Conheça algumas acusações de Trump ao Reino Unido:

- Boris seria um "grande primeiro-ministro"

Em entrevista ao The Sun, publicada enquanto May recebia Trump e a primeira-dama Melania para um baile de gala no Palácio de Blenheim, o presidente americano disse que o rival político de May, Boris Johnson, seria um "grande primeiro-ministro".

Além disso, Trump afirmou que os planos da primeira-ministra para manter os vínculos com a União Europeia após o Brexit impossibilitariam um acordo comercial com os EUA. Ele ainda a aconselhou a negociar com Bruxelas de determinada maneira e disse que ela escolheu o caminho oposto.

Na mesma entrevista, Trump também critica o prefeito de Londres, Sadiq Khan, por ter feito um trabalho "terrível" contra o terrorismo.

- Londres, uma "zona de guerra"

Em maio de 2018, durante uma convenção da National Rifle Association (NRA, Associação Nacional do Rifle), Trump declarou que um hospital de Londres que anteriormente teve prestígio agora é o hospital de uma "zona de guerra", em razão dos atentados na capital.

"Sim, é verdade, eles não têm armas, têm facas, e há sangue em todo o chão do hospital, dizem que é tão ruim quanto um hospital em zona de guerra", declarou o presidente. Crimes com armas brancas cresceram 23% em Londres no ano passado.

- A embaixada

Em janeiro de 2018, Trump declarou que não iria à inauguração da nova embaixada dos EUA em Londres, criticando a localização do prédio e argumentando que o escritório era resultado de um "acordo ruim". "Não estou entusiasmado com o fato de o governo Obama ter vendido a melhor embaixada e a mais bem localizada por nada", escreveu.

- Retuítes de extrema direita

Em novembro de 2017, Trump retuitou publicações de Jayda Fransen, líder do grupo de extrema direita Britain First, com vídeos de supostos atos violentos cometidos contra muçulmanos. Ao menos um dos casos postados era falso. May se posicionou sobre o assunto dizendo que Trump havia cometido um "erro" e ele respondeu de maneira agressiva. "Não se concentre em mim, se concentre no destrutivo terrorismo radical islâmico que ocorre no Reino Unido."

- "Você tem que ser proativo"

Em setembro de 2017, depois de outro atentado, o presidente disse que os autores "estavam sendo vigiados pela Scotland Yard" e deu um conselho. "Você tem que ser proativo". A polícia ainda não havia divulgado nenhuma informação sobre os autores do ataque e May respondeu que Trump e suas especulações não ajudavam.

- "Nós não estamos na escola"

Depois de vários conflitos, Trump se envolveu em uma guerra verbal com o prefeito de Londres, Sadiq Khan, em 2017, logo após um ataque na capital. "Pelo menos 7 mortos e 48 feridos em um ataque terrorista em Londres e o prefeito disse que 'não há motivo para alarme'." Khan respondeu ao comentário, convidando Trump a se envolver no assunto. "Nós não somos crianças em idade escolar", afirmou.

+ Prefeito de Londres tem coisas mais importantes a fazer do que responder Trump, diz porta-voz

- A proibição aos muçulmanos

+ Entenda: consequências para os cidadãos dos 7 países afetados pelo decreto migratório de Trump

Na visita em janeiro de 2017, Trump e May andaram de mãos dadas pela Casa Branca, demonstrando grande simpatia, mas a alegria não durou muito tempo, já que o presidente proibiu a entrada de cidadãos de sete países com população de maioria muçulmana, afetando muitos cidadãos que têm passaporte britânico. May disse discordar da proibição e vários legisladores a pediram para retirar o convite que fizera a Trump para visitar o Reino Unido.

- O cargo não está vago

Em novembro de 2016, o presidente recém-eleito surpreendeu May ao publicar, pelo Twitter, que o ex-líder do UKIP, Nigel Farage, um dos responsáveis pelo Brexit, "faria um grande trabalho" como embaixador nos Estados Unidos. Downing Street respondeu à postagem, dizendo que o cargo não estava vazio. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.