Os dois lados colocaram suas cartas sobre a mesa

Após uma reunião tensa na Casa Branca e quatro discursos dos líderes de Israel e dos Estados Unidos, o quadro do conflito palestino-israelense está cada vez mais claro: uma retomada das negociações de paz é improvável e os palestinos provavelmente tentarão obter reconhecimento da ONU.

Dan Perry, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2011 | 00h00

O discurso de ontem do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, diante de um Congresso americano benevolente foi notável à sua maneira. O direitista que um dia se opôs até mesmo a medidas tímidas pela paz promete ser o primeiro a reconhecer a "Palestina" algum dia. Mas ele também deixou claro aos palestinos que a visão que tem de seu futuro Estado está muito aquém do que eles querem. A reação árabe foi, previsivelmente, cáustica.

Os palestinos enfrentam também um desafio dos Estados Unidos. Embora se tenha falado muito da tensão entre Netanyahu e o presidente americano, Barack Obama, na reunião da semana passada, os palestinos também ouviram uma mensagem idêntica de ambos: a paz deve ser negociada, por isso, não recorram às Nações Unidas.

Eles poderão desistir da manobra se concluírem que ela promete provocar confusão e um desfecho vago. Mas quase ninguém que lida com o assunto acredita que negociações podem levar a um acordo. E ambas as partes estabeleceram condições de cumprimento que praticamente impedem a retomada do diálogo.

Primeiro, Netanyahu está propondo que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, cancele o acordo que fez com o grupo radical islâmico Hamas no mês passado. Apesar de sinais ocasionais de moderação, é improvável que o Hamas, em algum momento próximo, se curve às demandas para aceitar Israel, abandonar o terrorismo e acatar acordos anteriores. Segundo, palestinos continuam a pedir que Israel congele a expansão de assentamentos - em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia. Isso significa parar a construção em áreas onde vivem cerca de meio milhão de israelenses.

Essa equação poderia ter mudado se os palestinos encontrassem o suficiente para ser tentados nas visões de paz delineadas nos quatro pronunciamentos: os de Obama na quinta-feira e domingo e os de Netanyahu na segunda-feira e ontem. TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

É REPÓRTER DA "ASSOCIATED PRESS"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.