Os dois lados estudam qual o próximo passo

Análise: Isabel Kershner / NYT

O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2012 | 02h03

Saeb Erekat, reputada autoridade palestina, afirmou recentemente que no dia seguinte ao reconhecimento da Palestina como Estado não membro das Nações Unidas, "a vida não será mais a mesma". Segundo ele, na verdade, a ocupação ainda existirá, os assentamentos israelenses e as políticas de fechamento de fronteiras continuarão. Mas nenhuma autoridade israelense poderá alegar que Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental são territórios em disputa. E acrescentou que "a Palestina será um país sob ocupação. As condições para qualquer negociação significarão a retirada do poder ocupante".

Agora que as Nações Unidas garantiram aos territórios palestinos o status de Estado não membro, a questão é saber se os palestinos usarão a nova situação para retomar as negociações com um espírito de paz e reconciliação ou de confronto com Israel por meio da ONU e possivelmente do Tribunal Penal Internacional. A resposta pode ser as duas possibilidades. Mas como Israel realizará eleições em janeiro após uma contundente derrota diplomática na Assembleia-Geral, pelo menos no momento os dois lados parecem se manter no mesmo impasse verificado anteriormente, afirmam analistas.

Erekat, entrevistado um dia antes da votação na ONU, afirmou que os palestinos estão dispostos a "se sentar à mesa de negociação com os israelenses para definir um mapa do caminho" e discutir como voltar a negociar. As negociações para o estabelecimento de dois Estados estão paralisadas porque os palestinos exigiram que Israel suspendesse a construção de novas colônias.

O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, diz estar disposto a negociar, mas sem precondições, e recusa-se a renovar um congelamento temporário das construções, que expirou em 2010.

Com a nova ênfase na ocupação dos territórios, as autoridades palestinas afirmam que a exigência de um congelamento dos assentamentos não será abandonada. Há muito tempo Israel afirma que um Estado palestino só pode existir por meio de negociação e a nova resolução tornará as negociações mais difíceis. Para os críticos israelenses, a resolução consagra o princípio de um Estado com base nas fronteiras anteriores a 1967, o que é rejeitado pelo governo de Israel, e ao mesmo tempo apoia a reivindicação palestina quanto ao direito de retorno dos refugiados para o lado israelense das fronteiras. Na falta de negociação, está aberto caminho para novos confrontos.

O político palestino Mustafa Barghuti diz que como Estado ocupado, se os israelenses não cumprirem a 4.ª Convenção de Genebra, os palestinos podem "em algum momento no futuro" mover uma ação perante o TPI ou exigir sanções na ONU. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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