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Os fatos sobre a separação de crianças dos pais nos EUA

Donald Trump pôs nos democratas a culpa pela separação de filhos dos pais na fronteira e diz que uma crise migratória sem precedentes o forçou à intolerância

Helio Gurovitz , O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2018 | 05h00

Donald Trump pôs nos democratas a culpa pela separação de filhos dos pais na fronteira e diz que uma crise migratória sem precedentes o forçou à intolerância. Eis os fatos:

1. A detenção de ilegais no sul dos Estados Unidos cresceu nos últimos meses em relação a 2017, mas o total anual está abaixo da média de 500 mil, registrada entre 2013 e 2016. Não há crise comparável à vivida até 2006, quando passava de 1 milhão. 

2. O que aumentou foi a proporção de crianças cruzando a fronteira sozinhas ou acompanhadas (de 10% das detenções em 2012, para 39% em 2017). É razoável supor que várias tenham sido usadas para abrir portas aos pais – até abril, ilegais acompanhados de menores não eram processados, e as famílias eram libertadas.

3. Nenhuma lei jamais obrigou o governo a processá-los. A tolerância zero foi decisão de Trump.

4. Todos sabiam que ela levaria às separações. Foi aventada por trumpistas como forma de pressão para os democratas aceitarem reformas nas leis migratórias.

5. A separação familiar decorre de um acordo judicial de 1997, que impede crianças de ficar mais de 20 dias presas. O decreto assinado por Trump para encerrá-la não o altera.

6. A reforma em debate desmantela o asilo humanitário, concede permanência a no máximo um terço dos 3,6 milhões de ilegais que chegaram crianças ao país e permite a detenção infantil por períodos maiores – em troca de mais recursos à guarda e ao muro na fronteira.

7. Não há prova de que o muro seja mais eficaz para deter os ilegais que as políticas adotadas desde 2006.

 

IMIGRAÇÃO 

Trump ataca naturalizados

A ofensiva de Trump contra imigrantes não se restringe às fronteiras. O serviço de imigração montou uma força-tarefa para investigar processos de naturalização. A meta é descobrir, entre os 20 milhões de naturalizados, quem ocultou crimes ou deportações. Raríssima, a “desnaturalização” já foi aplicada até a quem se confundiu preenchendo formulários. Questões retóricas e mentiras protocolares são tão comuns que autoridades poderão retirar cidadania de quem quiserem.

POLÔNIA

Plebiscito do ‘Polexit’

O presidente da Polônia, Andrzej Duda, pretende incluir no plebiscito constitucional deste ano duas questões sobre a União Europeia: 1) a associação à UE deve estar gravada na Constituição?; 2) a Carta deve assegurar sua supremacia sobre leis internacionais (e europeias)? A iniciativa levantou o fantasma do Polexit, num momento em que a UE estuda medidas contra a Polônia, pelo aparelhamento da Suprema Corte.

GUERRA AO TERROR

Rússia reduziu ameaça do terror 

A Rússia debelou nos últimos anos a ameaça do terrorismo checheno. Assassinatos dirigidos eliminaram a liderança do autoproclamado emirado do Cáucaso. Mas o risco não desapareceu. Houve atentados recentes com armas de fogo ou facas. Três meses antes da Copa, oito operações antiterror mataram cinco jihadistas na Chechênia e no Daguestão.

CUBA

O mistério das estatísticas

Por que, apesar da miséria, Cuba reivindica indicadores de saúde tão exuberantes? O motivo, diz um estudo na Health Policy and Planning, é um misto de atraso e manipulação. A longevidade sobe pela privação de carros (menos acidentes, poluição e doenças respiratórias) e pelo racionamento (menos calorias e males ligados à obesidade). A mortalidade infantil cai pela reclassificação de mortes neonatais como fetais e pelos abortos forçados. 

MAGNATA

Herdeiro tenta salvar ‘Playboy’

Cooper Hefner, de 26 anos, filho do fundador da Playboy, tenta salvar o império decadente que herdou. Sem medo das feministas, trouxe de volta a nudez que o pai banira (sua noiva, a atriz Scarlett Byrne, posou de seios à mostra). Ampliou a diversidade nas modelos e, pela primeira vez, escolheu uma playmate transexual. Mas se mostra incapaz de deter o efeito da internet que corrói seu negócio.

 

'The Boss' 

“É revoltante ouvir representantes do governo blasfemar em nome de Deus que é moral agredir crianças. Que Deus salve nossas almas!”

Bruce Springsteen, ROQUEIRO, EM SHOW NA BROADWAY

MENTIRAS 

3.251  afirmações falsas ou distorcidas foram feitas pelo presidente americano, Donald Trump, da posse até 31 de maio (6,54 por dia, considerando-se 497 dias), segundo o jornal Washington Post. Nos 100 primeiros dias, a média foi de 4,9 por dia. Maio foi o mês com mais registros

 

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