'Os favoritos são de centro, não fundamentalistas'

O clima em Trípoli é radicalmente diferente dos tempos do ditador Muamar Kadafi - da alfândega nos aeroportos às conversas nos cafés, os líbios já são muito mais livres. Para Mustafa Abulgasen Kashiam, da Universidade de Trípoli, líbios estão satisfeitos pois o país "está no caminho certo".

Entrevista com

TRÍPOLI, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2012 | 03h06

O que os líbios devem esperar dessa eleição?

Estou absolutamente otimista. É a primeira vez que os líbios com menos de 70 anos vão votar - essa é a primeira eleição desde 1954. As pessoas estão em geral muito animadas para participar. Mas há um pouco de confusão. Os eleitores não conhecem bem os candidatos, outros não sabem direito como funciona o sistema de voto. As mulheres também estão à procura de sua representação.

Essa confusão, com o excesso de partidos, beneficia alguém?

Como os partidos políticos são algo novo, haverá muita disputa. Para o eleitor, é difícil compreender o que as legendas pensam, que ideias defendem, quem os lidera. A Irmandade Muçulmana é muito conhecida, mas Mahmoud Jibril (ex-líder dos rebeldes), também.

Os dois partidos favoritos têm discursos moderados, certo?

Sim. O Partido da Justiça e da Reconstrução, da Irmandade Muçulmana, é muito organizado. Seus membros são extremamente cuidadosos em termos de programa e sua orientação política é de centro. Eles falam até em igualdade e liberdade para as mulheres. Também o partido de Jibril é de centro. Ambos consideram as leis islâmicas como as bases elementares de nossa futura Constituição. Por isso, a opinião púbica não consegue perceber muito bem as diferenças. É claro que ainda há os fundamentalistas, mas a maior parte da opinião pública da Líbia está orientada para o centro.

Qual será o peso da sharia?

No início falou-se muito em uma Constituição com base na sharia, mas hoje ela só é aceita como uma das fontes principais, e não a fonte principal. Trata-se de uma vitória dos moderados, que estão impondo sua visão, como a da propriedade privada, por exemplo. Vamos chegar a algo como nos países do Golfo Pérsico. Não haverá uma Constituição radical. A maioria das pessoas não aceita o radicalismo. / A.N.

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