'Os governos precisam parar de fornecer armas para os rebeldes'

O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, presidente da comissão de investigação dos crimes na Síria, afirma que o surgimento de grupos islâmicos é o fator "mais preocupante e alarmante" no conflito. "Eles não estão interessados em construir uma democracia na Síria", disse. A seguir, os principais trechos da entrevista ao Estado.

Entrevista com

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2012 | 03h01

Qual o impacto da presença de radicais islâmicos na Síria?

Esse é o aspecto mais preocupante e alarmante. Muitos estão lutando ao lado dos rebeldes, mas existem aqueles que lutam sozinhos e têm sua própria agenda. Eles não estão interessados em construir uma democracia na Síria. O que alguns desses grupos querem é a volta de um califado. Por isto, digo que, quanto mais tempo o conflito durar, pior será a capacidade de a Síria se reconstruir.

Seria um novo Afeganistão?

Não gosto de comparar. A Síria tem um mosaico complicado de diferentes comunidades e religiões. Se essas tensões se agravarem, a reconstrução será muito difícil.

Por que o sr. diz que seria

melhor que os países parassem de financiar os rebeldes?

Porque não há uma vitória no horizonte para nenhum grupo. Os governos estrangeiros precisam parar de fornecer armas para os rebeldes. Isto está apenas agravando a guerra. O primeiro perigo dessa guerra é a desestabilização interna e a violação dos direitos humanos na Síria. O segundo perigo é o conflito se espalhar pela região. O Líbano já dá sinais de desestabilização e a Jordânia já alertou para o problema dos refugiados que chegam ao país. / J.C.

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