Josh Edelson / AFP
Josh Edelson / AFP

Os incêndios na Califórnia este ano estão mais intensos?

Apesar de estarem arrasando o Estado, o tamanho da área destruída pelas chamas até o momento é menor do que em 2018, mas talvez a pior parte ainda esteja por vir; entenda

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2019 | 10h10

Os destrutivos incêndios florestais estão arrasando a Califórnia este ano e ameaçam residências e locais emblemáticos, além de forçar apagões que levam milhares de pessoas a ficarem dias ou semanas no escuro.

A responsabilidade por essa situação é atribuída desde mudanças climáticas até negligência das empresas de eletricidade. Milhões de pessoas foram retiradas de suas casas e centenas de estruturas ficaram destruídas nos últimos dias. 

Os incêndios deste ano estão piores?

Ainda que sejam terríveis em termos de tamanho e destruição, os incêndios deste ano ainda não estabeleceram nenhum recorde.

Os 20 piores incêndios registrados destruíram, no mínimo, mais de 500 estruturas e queimaram 56.650 hectares, segundo a agência estatal Cal Fire. O maior deste ano, o Kincade, acabou com 206 estruturas em uma área de 31.089 hectares na quarta-feira, 30.

Apesar disso, ainda não foram reportadas vítimas. Em 2018, um só incêndio que arrasou o povoado de Paradise matou 86 pessoas.

Mas o perigo ainda não acabou. Ventos fortes ameaçam aumentar as chamas e alguns dos piores incêndios da história da Califórnia costumam ser registrados em dezembro.

“Não saímos ilesos da temporada de incêndios e não estaremos seguros até que haja chuvas significativas tanto no norte como no sul da Califórnia”, disse Crystal Kolden, uma cientista da Universidade de Idaho especialista em incêndios florestais.

Quais os desafios deste ano?

As chamas deste ano têm sido excepcionais em vários aspectos, começando pelos incomuns alertas vermelhos “extremos” emitidos.

Os bombeiros ainda lidam com um outro desafio: o fogo no norte e sul da Califórnia de forma simultânea. Normalmente, o Estado mobiliza os bombeiros de um lugar para outro para concentrar esforços, mas este ano o grupo teve que se dividir.

Os incêndios de outubro no árido sul da Califórnia são comuns, mas em razão do aquecimento global, o norte não tem registrado chuvas e isso complica o cenário. “Os ventos não são algo novo, o problema é que estará extremamente seco quando eles chegarem”, explicou Crystal.

Ironicamente, as fortes chuvas da primavera boreal complicaram ainda mais a situação, destacou Thomas Wieczorek, diretor do Centro para Gestão de Segurança Pública. “Embora tenha acabado a seca em algumas partes do Estado, também houve um crescimento da vegetação que agora secou.”

Por que os incêndios deste ano estão menos destrutivos?

É provável que diversos fatores tenham contribuído para que os incêndios sejam menos destrutivos que em 2017 e 2018.

Embora os ventos estejam muito fortes, as temperaturas na Califórnia esta semana não foram especialmente altas e isso ajudou, assim como o trabalho preventivo para reduzir os riscos.

“Cal Fire contratou mais bombeiros e tem sido sorte também que os incêndios tenham sido detectados cedo, antes que se espalhem descontroladamente”, afirmou Wieczorek.

Quais os perigos existentes?

Mesmo se 2019 terminar sendo menos destrutivo, os presságios para o futuro não são bons: vários fatores, além das mudanças climáticas, colocam a Califórnia sob um risco maior a cada ano.

O sucesso obtido pelo Estado na prevenção de incêndios nas últimas décadas também resulta no acúmulo de vegetação altamente inflamável.

Um dos principais temores é que as chamas do Kincade possam ultrapassar a rodovia 101 e chegar a uma região muito vulnerável por não ter sido queimada desde a década de 1940 e que conta com muita vegetação.

O boom da habitação na Califórnia também aumenta o risco. À medida que a população aumenta, as casas recém-construídas feitas de madeira proporcionam combustível para as chamas.

E enquanto as companhias elétricas assumem a responsabilidade por grande parte da culpa pelos incêndios recentes, outras atividades humanas também são responsáveis. 

Um estudo recente descobriu que o uso de equipamentos como máquinas de podar foi uma das principais causas humanas dos incêndios na Califórnia, seguidas pelas bitucas de cigarro, fogueiras e incêndios provocados. / AFP

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