Os jovens, força por trás de Khatami

Os jovens acenavam. Eles cantavam. Eles manifestavam uma admiração sem limites. Para grande parte da enorme população jovem do Irã, o presidente Mohammad Khatami representa a concretização de seu sonho de uma sociedade menos restritiva. O clérigo moderado - que chegou fulminantemente ao poder em 1997, quando uma geração inteira surgiu para se mobilizar contra os teocratas linha-dura do governo e votar nele - tinha quase certa sua vitória nas eleições desta sexta-feira graças, em grande parte, à sua popularidade entre os eleitores jovens. Uma multidão de jovens iranianos acenou, cantou e gritou "Eu te amo" quando Khatami apareceu para votar. O grupo era formado também por garotas maquiadas, e alguns dos visuais mais ousados de acordo com o código de vestuário islâmico no Irã: cabeças raspadas, jaquetas de algodão, calças jeans e sapatos de salto. "Até pensei em não vir votar, pois não sabia se faria diferença eu vir votar em Khatami", disse Nazli Kiyani, de 27 anos, quando foi votar em Teerã. "Mas Khatami é tão charmoso, legal e sincero que eu me vi obrigada a vir votar." Para Kiyani, uma programadora de computadores, Khatami é "mais sincero e honesto" do que os outros políticos iranianos. A idade mínima para votar no Irã é 16 anos. Cerca de 60% dos 62 milhões de iranianos têm menos de 25 anos. Os jovens, especialmente as mulheres, estão explorando os limites das leis islâmicas impostas por um clero conservador que governa desde a revolução de 1979, influindo em quase todos os aspectos da vida dos iranianos.

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