Os maiores atritos da história da União Europeia

Os maiores atritos da história da União Europeia

Processo do Brexit é apenas mais um capítulo na longa história de crises envolvendo o bloco

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2020 | 08h00

O processo do Brexit, que se concretizou nesta sexta-feira, 31, após três anos e meio de adiamento, é mais um capítulo na longa história de crises envolvendo a União Europeia. Confira alguns dos principais atritos da história:

"Cadeira vazia" francesa

A partir de 1º de Julho de 1965, a França causa a crise da "cadeira vazia", recusando-se a participar das instâncias comunitárias durante sete meses depois do conflito quanto ao financiamento da Política Agrícola Comum (PAC).  

A França também gerou outra crise, quando o general De Gaulle vetou a adesão do Reino Unido ao bloco em 1963 e depois em 1967, atrasando a sua integração somente para 1973.  

"I want my money back"

Em 1979, a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher insiste em diminuir a contribuição do seu país ao orçamento europeu, usando a famosa expressão "I want my money back" ("Quero meu dinheiro de volta"). Feito que ela conseguiu em 1984. 

Dinamarca recusa Maastricht

No dia 2 de junho de 1992, os dinamarqueses recusam em referendo o Tratado de Maastricht. Após obter algumas revogações - entre outras, sobre o euro e a defesa europeia - aprovam o texto em uma nova consulta no dia 18 de maio de 1993. Os franceses aderem ao tratado por pouco tempo.  

Demissão em 1999

Em 16 de março de 1999, a Comissão Europeia demite coletivamente após um anúncio devastador denunciando sua grave responsabilidade em casos de fraude. 

Sanções à Áustria 

Em fevereiro de 2000, a UE impõe sanções a Viena após a entrada de um partido de extrema-direita no governo, um caso inédito para o bloco. As relações bilaterais dos outros 14 membros com a Áustria ficaram congeladas por vários meses.  

Em 16 de dezembro de 2017, a extrema-direita entra em um novo governo sem gerar novas sanções de Bruxelas.  

Fracasso da Constituição europeia

Em 29 de maio de 2005, após nove homologações consecutivas, a França vota contra o referendo do projeto de Constituição Europeia. No dia 1º de junho, os holandeses fazem o mesmo. O texto é deixado de lado, embora tenha sido aplicado parcialmente por meio do Tratado de Lisboa, que entrou em vigor no final de 2009.  

Dívida grega

Em 2009, o déficit público da Grécia é revisado para cima. O país está ameaçado por um default (descumprimento das obrigações legais ou condições de um empréstimo), e a Europa teme um "Grexit". A partir de 2010, a Grécia começa a integrar vários planos de resgate internacionais condicionados a um rigoroso controle de gastos, resultando em uma grande depressão econômica.  

A crise da dívida afeta também a Irlanda, Espanha, Portugal e Chipre.  

Crise migratória

Em 2015, a chegada de mais de um milhão de pessoas pelo mar nas costas gregas e italianas desestabiliza a UE, que se divide entre fechar as fronteiras e se solidarizar com os refugiados. Desde 2014, mais de 19 mil pessoas morreram ao tentar chegar à Europa.  

O Brexit

No dia 23 de junho de 2016, após referendo, o Reino Unido se torna o primeiro país a decidir sair do bloco econômico. Começam complicadas negociações que culminariam no divórcio, oficializado no dia 29 de março de 2019.  

Em uma primeira fase do processo, acordado entre Bruxelas e a na época primeira-ministra Theresa May, é recusado três vezes pelo Parlamento do país, causando vários atrasos para a decisão final sobre o Brexit. 

O sucessor de May, Boris Johnson, chega a um novo acordo com Bruxelas em outubro, embora não tenha conseguido aprová-lo perante o Parlamento britânico. Bruxelas concede um novo prazo para o Brexit, agendado para 31 de janeiro de 2020.  

No dia 9 de janeiro de 2020, o texto é finalmente aceito pela Câmara dos Comuns após as legislativas que tinham sido antecipadas em dezembro, nas quais se impôs com folga o Partido Conservador de Boris Johnson.  /AFP

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