Juan Nagel*, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2014 | 02h09

"Quem se cansa, perde" é o lema do movimento de protesto da Venezuela que sacode o país há mais de um mês. Como as manifestações começam a perder energia, o lema parece verdadeiro. Reflete o temor de que o presidente Nicolás Maduro consolidará seu poder, talvez de modo irreversível. A oposição continua a sair às ruas, mas as barricadas já são menos comuns e o grupo pensa no longo prazo, mudando táticas. Isso significa mais atos em massa, o que torna menos prováveis ataques do governo. A violência no oeste do país continua explosiva, mas em Caracas os opositores voltaram às grandes manifestações pacíficas.

Uma das principais razões da perda de entusiasmo é o aumento da repressão. Centenas de líderes estudantis foram presos em meio a acusações de abuso. O governo continua a usar grupos paramilitares conhecidos como "coletivos" e vem entrando em faculdades e até em edifícios onde opositores estariam escondidos.

O mais importante é que o governo também tem perseguido líderes locais que não se opuseram ao movimento de protesto. Na semana passada, prendeu o prefeito de San Cristóbal (que pertence ao partido de Leopoldo López), afirmando que não adotou medidas drásticas contra as barricadas. O governo também tem ameaçado os prefeitos de alguns subúrbios de Caracas.

Maduro afirmou várias vezes que o prefeito de Chacao, epicentro dos protestos em Caracas, acabará na prisão se não adotar medidas severas. Como resultado da pressão, ele tem se mostrado disposto a fazer tudo para conter os protestos. O governo implementou uma sensação de dúvida e medo entre os líderes e manifestantes. E vem dando certo.

A combinação de repressão, crise econômica mais aguda e um conflito político intenso prenuncia mais tumultos. Os protestos podem ter se acalmado, mas sua causa continua bem viva.

*Juan Nagel é blogueiro.

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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