'Os muçulmanos vão entender que não queremos ofendê-los'

Em meio à polêmica sobre o filme Inocência dos Muçulmanos e a publicação de charges com ofensas ao Islã, a revista satírica alemã Titanic planeja publicar na sexta-feira uma capa com a imagem de um homem que representa o profeta Maomé ameaçando com uma adaga a mulher do ex-presidente da Alemanha Christian Wulff, Bettina. Segundo o editor-chefe da publicação, Leo Fischer, o objetivo não é ofender o Islã, mas fazer uma crítica a pessoas que possam se aproveitar da situação em busca de notoriedade. A seguir, trechos da entrevista:

Entrevista com

ANDRÉ CABETTE FÁBIO , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2012 | 03h08

O que a Titanic quer com a publicação dessa capa?

Nós criticamos o infame filme de propaganda Inocência dos Muçulmanos agudamente. Com a publicação, nos colocamos do lado dos muçulmanos do mundo todo em protesto. Em particular tememos agora o surgimento de novos vídeos maliciosos que poderiam afrontar os muçulmanos ainda mais. Nós tememos que Bettina Wulff, a mulher de nosso ex-presidente, ávida por notoriedade, possa produzir um vídeo justamente como esse para fazer propaganda de sua autobiografia. Na capa, vemos uma possível cena desse filme.

Há uma ligação com o caso da revista satírica Charlie Hebdo na França? A Titanic busca, de alguma forma, apoiá-la?

Nossa edição surgiu antes das caricaturas da Charlie Hebdo. Nós apoiamos, no entanto, os colegas na França e esperamos que os muçulmanos franceses possam rir dessas piadas.

O número de revistas vendidas é levado em consideração?

Não, vendas são desimportantes para nós. Temos leitores o suficiente. Não avaliamos nada economicamente.

Já houve alguma reação da comunidade salafista alemã?

O conselho da coordenação da comunidade muçulmana alemã se manifestou, classificando a edição como desnecessária e negativa. Evidentemente um mal-entendido.

A redação teme uma reação?

Não. Nós acreditamos que os muçulmanos alemães são inteligentes e tolerantes para entender que a publicação não é direcionada contra o Islã.

Como a opinião pública alemã se manifestou?

A opinião hegemônica é a de que a edição pode ofender os muçulmanos. Nós defendemos o Islã. Nós só queremos ofender Bettina Wulff.

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