Mohamad Torokman/Reuters
Mohamad Torokman/Reuters

Os palestinos apostam na ONU

Vale a pena evitar uma votação sobre a criação do Estado, por será ruim para Israel tantos países votando contra ele

Jennifer Rubin, The Washington Post,

01 Junho 2011 | 10h21

Por que o governo Barack Obama não deixa claro que um provável veto dos Estados Unidos vai aniquilar uma resolução a ser votada no Conselho de Segurança favorável a um Estado palestino e acaba com essa tática de "ajudar Israel a fazer concessões"?

 

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Para começar, o governo está apreensivo com o veto, o que, para os multilateralistas que habitam a Casa Branca e o Departamento de Estado, é sinal de que os Estados Unidos estão "isolados". Mas além do Conselho de Segurança, existem outras razões de preocupação.

 

Elliott Abrams, ex-assessor-adjunto do Conselho de Segurança Nacional, disse-me que o impacto de uma resolução da Assembleia Geral da ONU pode ser severo. "Os palestinos irão em busca do voto (o presidente da Autoridade Palestina está bastante comprometido para desistir agora). E mesmo que essa votação não tenha, legalmente, nenhum efeito, ainda assim seria péssimo para Israel ter 150 ou mais países votando contra ele. Certamente valerá a pena evitar que a votação ocorra."

 

E advertiu que a Assembleia-Geral pode causar algum prejuízo por si só. "Ninguém pode saber ao certo qual será o impacto legal e como os advogados da ONU interpretarão as coisas, embora eu ache que um veto do Conselho de Segurança poderá encerrar o assunto. Mesmo assim, da mesma maneira que a resolução Sionismo é Racismo, ela vai provocar danos e provavelmente dará força ao movimento BDS (boicote/ desinvestimento/ sanções). E isso talvez especialmente porque ela será contrária ao parecer dos advogados.

 

Estratégia. Se os palestinos estão determinados a ir às Nações Unidas, por que o presidente Obama vem defendendo as fronteiras demarcadas em 1967 antes deles? Um assessor do Senado disse-me que "não se trata de convencer os palestinos a desistir de ir à ONU, mas de convencer os países indecisos - na Europa, América Latina, Ásia - a não votar a favor da iniciativa palestina. Se eles sentirem que as coisas estão avançando, ou que a ausência de negociações é por culpa dos próprios palestinos, provavelmente não votarão a favor da resolução". Talvez.

 

Segundo Jonathan Schanzer, da Fundação para Defesa das Democracias, "até agora, Obama não ganhou a parada". A Grã-Bretanha parece inflexível no seu apoio aos palestinos nas Nações Unidas, enquanto que os franceses deixaram claro que também apoiarão a iniciativa, a "menos que se observe um avanço".

 

Singularmente, ao resistir a essa proposta, Obama não tem feito muito uso, pelo menos publicamente, do impacto potencial do Hamas num governo de unidade palestino. Segundo ele, muitos dos países inclinados a apoiar os palestinos nas Nações Unidas (por exemplo, os da América Latina, Escandinávia e boa parte da Europa Ocidental) podem não se importar muito com o fato de o Hamas ser um grupo terrorista.

 

Hamas. No entanto, Schanzer sustenta que o governo deveria dramatizar muito mais os acertos feitos com o Hamas, explicando que "este é o fim do movimento de reforma no qual eles investiram tão pesado". Para Schanzer, "se o Hamas deve assumir um papel num governo futuro, é quase certo que o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, partirá, e com ele a esperança de um governo tecnicamente competente e razoavelmente não corrupto.

 

Schanzer observou, com pesar, que "esta é a primeira iniciativa diplomática bem sucedida, que não tem nada a ver com terrorismo", da parte dos palestinos. O terrorismo levou o mundo a fixar sua atenção nos palestinos e agora a "comunidade internacional" (um paradoxo, já que é óbvio que não compartilhamos os mesmos objetivos e valores) se prepara para mutilar Israel e capacitar os palestinos a mover uma ação junto ao Tribunal Penal Internacional, exigindo terras e outras sanções. Obama estava certo de que iniciaria uma nova era no Oriente Médio. Mal sabíamos que seria assim tão terrível. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

 

É AUTORA DO BLOG ‘RIGHT TURN’ DO JORNAL THE WASHINGTON POST

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