Os passos após a inesperada queda

ANÁLISE: Hugh Bronstein / Reuters

É JORNALISTA, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2013 | 02h03

A presidente argentina, Cristina Kirchner, saiu enfraquecida da eleição de meio de mandato na qual sua coalizão foi derrotada. Na eleição de domingo, seus candidatos receberam apenas 26% dos votos em todo o país, muito menos do que o esperado, e o candidato ao Congresso que ela própria escolheu perdeu na Província de Buenos Aires, onde residem 40% dos eleitores argentinos. Os resultados praticamente acabaram com as chances de seus partidários modificarem a Constituição a fim de permitir que ela concorra a um terceiro manto, em 2015.

O mais forte representante das forças políticas que se opõem a Cristina é Sergio Massa, prefeito de Tigre, na Província de Buenos Aires, favorável à iniciativa privada, que derrotou o candidato da presidente nas primárias naquele distrito. Na segunda-feira de manhã, apareceram cartazes promovendo Massa para presidente em 2015.

Antes disso, a Argentina acompanhará atentamente a atuação de Cristina para ver se como ela dirigirá a transição que a espera. Nestes seis anos no cargo, Cristina conquistou o apoio dos pobres com generosos gastos com a previdência e liderou um persistente crescimento da economia, embora a um custo grande. Economistas do setor privado calculam a inflação em mais de 20% ao ano, uma das mais elevadas do mundo.

Com mais dois anos de mandato, ela deverá intensificar o controle sobre os capitais e a política monetária que esfriaram a confiança na terceira economia da América Latina. Cristina poderá ser pressionada a reduzir a inflação cortando os subsídios e outros gastos públicos, mas isso iria diretamente contra seu discurso dos últimos seis anos e provocaria protestos.

Qualquer que seja o rumo que tome, Cristina continuará comandando a agenda política até o fim do mandato, em dezembro de 2015, diz Daniel Kerner do Eurasia Group. "É provável que o governo intensifique suas políticas heterodoxas", acrescenta. "Agora, a diferença está no fato de que ela poderá encontrar crescente resistência dos políticos, da mídia e do Judiciário."

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