Reprodução via Reuters
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Os perigos da moderação

Poucos em Washington acreditam que em seus últimos 19 meses de governo, Barack Obama abandonará a inércia no Oriente Médio

The Economist

07 de junho de 2015 | 03h00

Os Estados Unidos aprenderam a duras penas que não têm como resolver os problemas do Oriente Médio. Mas, com sua inércia deliberada, Barack Obama corre o risco de torná-los ainda piores.

No anfiteatro de mármore branco do Cemitério Nacional de Arlington, no dia 25, Barack Obama proferiu um breve discurso que diz muito sobre o modo como o presidente americano vê o uso do poderio militar dos EUA. “Hoje é a primeira vez em 14 anos que comemoramos o Memorial Day sem que os Estados Unidos estejam diretamente envolvidos numa guerra de grandes proporções.” A presença militar dos EUA no Afeganistão, que já chegou a 100 mil soldados, foi reduzida a um décimo disso. E é ainda menor o contingente que o país mantém no Iraque, dando treinamento e oferecendo apoio aéreo, mas sem participar de combates.

No dia em que os americanos homenageiam seus soldados mortos em combate, 7 mil deles em conflitos que se seguiram aos atentados de setembro de 2001, Obama pautou suas palavras pela crença de que os EUA já tiveram seu quinhão de guerras. Pouco importa se a situação no Afeganistão é tremendamente instável. Ou que o Iraque e a Síria estejam em frangalhos, ocupados por milícias sunitas e xiitas de todos os tipos. Ou que a Líbia e o Iêmen também enfrentem guerras civis. Ou que os aliados dos EUA, tanto Israel, quanto as monarquias árabes, sintam-se abandonados.

Quando o mundo parece de pernas para o ar, é inevitável que as pessoas responsabilizem o ocupante da Casa Branca. Isso vale sobretudo para o Oriente Médio, que há décadas recebe atenção especial da diplomacia americana por uma série de imperativos estratégicos: impedir a expansão soviética durante a Guerra Fria; garantir acesso ao petróleo do Golfo Pérsico; apoiar Israel em seus conflitos com os países árabes; conter o Irã revolucionário; e mudar o regime no Iraque, coisa que seria, supostamente, o primeiro passo para promover a democracia na região.

Decifrando Obama. Agora, em parte em razão da própria invasão de 2003 e da queda de Saddam Hussein, a região virou um pandemônio. A Primavera Árabe de 2011 derrubou mais alguns ditadores e promoveu mudanças, embora raramente do tipo aprovado pelos EUA. É possível que uma democracia esteja criando raízes frágeis na Tunísia. Mas, sob Abdel-Fattah al-Sissi, o Egito descambou para um autoritarismo ainda mais feroz do que o do destituído Hosni Mubarak. 

A vizinha Líbia está se desmanchando. Não muito longe dali, o Iraque e a Síria são dilacerados por guerras civis, com o novo horror do Estado Islâmico controlando territórios de ambos os lados da fronteira. O Irã e a Arábia Saudita se enfrentam indiretamente no Iêmen e em outros lugares. Países que não foram tragados pelo turbilhão, como Líbano e Jordânia, recebem levas e mais levas de refugiados.

Acusa-se Obama, dentro dos EUA e no exterior, de não ter uma estratégia para lidar com essa confusão. Jeb Bush, pré-candidato republicano à presidência, recrimina o presidente por se indispor com os amigos dos EUA e não inspirar medo em seus inimigos. Os críticos dizem que Obama está tão preocupado com o reequilíbrio da política de segurança americana, cujo foco agora é o Sudeste Asiático, que acaba negligenciando o Oriente Médio - ou que simplesmente falta a ele fibra para agir.

A outra maneira de ver a coisa é entender o desengajamento de Obama como uma escolha deliberada. Para um presidente eleito com a missão de desenredar os EUA das guerras em que o país se envolveu na região, faz sentido enviar tropas apenas em situações de grande necessidade e, mesmo assim, em escala limitada. De modo geral, Obama parece disposto a intervir só nas ocasiões em que esteja convencido de que isso não tornará as coisas piores - o que, no Oriente Médio, significa que intervenções raramente acontecerão.

Obama não é pacifista nem isolacionista. A acusação de que esteja ignorando o Oriente Médio é negada por fontes do governo. Um veterano da Casa Branca diz que “nunca pareceu que estivéssemos nos afastando do Oriente Médio. A região é tema central de cerca de 80% de nossas reuniões mais importantes no Conselho de Segurança Nacional”. Nessas reuniões, Obama com frequência se posiciona na extremidade mais moderada da gama de opções apresentada por seus assessores. Mas não se recusa a agir. Mesmo tendo reduzido o alcance das principais operações militares dos EUA, ele intensificou os ataques antiterror com aviões não tripulados, bombardeou alvos no Afeganistão, Paquistão, Somália, Iêmen, Líbia, Iraque e Síria, e deu sinal verde para a operação que matou Osama bin Laden.

Por outro lado, reconhecer os limites do possível não absolve Obama de todas as acusações levantadas contra ele. De sua folha corrida constam os seguintes equívocos: as palavras bonitas sobre o estímulo à democracia, incluídas num discurso que falava de “um novo começo” para americanos e o mundo islâmico, proferido no Cairo, em 2009, não foram acompanhadas de nenhuma ação significativa; a reação errática à Primavera Árabe irritou tanto o Exército quanto os islamistas egípcios; a intervenção contra Muamar Kadafi, conduzida por franceses e britânicos, com os EUA “liderando por trás”, foi desperdiçada por não ter sido acompanhada de uma ajuda à criação de um governo estável pelos rebeldes; a retirada das tropas americanas do Iraque em 2011 foi muito apressada.

E acima de todas essas faltas está a ação - ou melhor, inação - de Obama na Síria. Quando Bashar Assad massacrou manifestantes, Obama disse que o ditador tinha de renunciar. Mas pouco fez para apoiar os rebeldes moderados. Em 2012, ele disse com todas as letras que Assad estaria cruzando uma “linha vermelha” se usasse armas químicas. Mas, em agosto de 2013, quando um ataque com gás sarin em Ghouta, nos arredores de Damasco, matou mais de mil civis, o ditador não sofreu as “enormes consequências” a que Obama aludira. Graças a um acordo diplomático, muitas armas químicas sírias foram removidas, e isso foi bom; Israel já não pensa em distribuir máscaras de gás para sua população. Mas até partidários de Obama concordam que a ausência de represálias deixou a reputação dos EUA chamuscada.

Algumas semanas mais tarde, sob pressão, Obama apresentou uma síntese de sua política para o Oriente Médio num discurso na ONU. Seriam quatro os interesses centrais em cuja defesa os EUA estariam preparados para usar “todos os recursos à nossa disposição, incluindo a força militar”: a proteção a aliados contra “agressões externas”; a garantia ao livre fluxo de petróleo e gás; a prevenção a atentados terroristas contra os EUA; e o cerco à proliferação de armas de destruição em massa. 

Nesses casos, os americanos estariam dispostos a agir sozinhos. Com relação a seus outros interesses na região, como o estímulo à democracia e o acesso ao livre mercado, a preferência seria por ações multilaterais. No curto prazo, o país estaria concentrado em perseguir dois difíceis objetivos diplomáticos: um tratado de paz entre Israel e os palestinos, e um pacto sobre o programa nuclear iraniano. Já a guerra civil síria, não poderia ser solucionada, sugeriu Obama, com o uso do poderio militar americano. “Os EUA agem com uma humildade conquistada a duras penas no que diz respeito a nossa capacidade de determinar o rumo dos acontecimentos no interior de outros países.”

Seria isso humildade ou indiferença? Ao contrário da arrogância de George W. Bush, os custos da humildade de Obama não são tão facilmente percebidos, pois é difícil mensurar oportunidades perdidas. Mas, em termos humanitários, deixar de intervir na guerra civil síria, mesmo diante de mais de 200 mil mortes e do uso continuado de armas químicas (atualmente sob a forma do mais corriqueiro gás cloro) parece no mínimo uma questão de insensibilidade. Não é preciso acreditar que os EUA teriam sido capazes de pôr fim à guerra, ou de vencê-la, para achar que o país poderia ter feito mais, talvez apoiando com mais vigor e critério alguns rebeldes, talvez decretando zonas de exclusão aérea.

Será que com mais apoio dos americanos, os rebeldes moderados - os “fazendeiros e dentistas e gente que nunca pegou em armas”, como a eles se referiu Obama - teriam conseguido derrotar Assad ou até mesmo manter à distância os jihadistas mais radicais? Não há como saber. Mas, sem esse apoio, não foi possível. Isso permitiu que o EI capturasse grande parte do leste da Síria e, em 2014, avançasse pelo norte e o oeste do Iraque, tomasse Mossul e declarasse um califado.

Alienando amigos. Em virtude disso, assim como Michael Corleone, em O Poderoso Chefão: Parte III - “Quando eu pensava que tinha deixado tudo para trás, eles me puxam de volta” - Obama se viu novamente às voltas com a carnificina de que pensava ter escapado. Sob o pretexto de proteger autoridades americanas que trabalhavam em Bagdá e Irbil, no norte do Iraque, ele ordenou ataques aéreos. A morte de dois reféns americanos fez com que a estratégia fosse ampliada para incluir o objetivo de “debilitar e, em última análise, destruir” o EI.

Isso implicou duas operações distintas, mas inter-relacionadas. No Iraque, militares americanos e de outros países ocidentais se encarregariam de treinar e recompor o Exército iraquiano e oferecer apoio aéreo para enfraquecer o EI. Na Síria, americanos e árabes conduziriam ataques aéreos às bases da retaguarda do grupo, ao mesmo tempo em que treinariam uma “terceira força” de rebeldes sírios moderados. Obama fez questão de dizer que não haveria “forças terrestres”.

A preparação de uma nova força síria tem sido lenta; e o ritmo das operações aéreas, moderado. O EI perdeu cidades no Iraque e na Síria, mas, apesar da pressão, o grupo resistiu, e em maio suas forças expulsaram o Exército iraquiano da cidade de Ramadi, capital da Província de Anbar, e desalojaram o Exército sírio da cidade de Palmyra. 

Numa reunião realizada em Paris, terça-feira, o primeiro-ministro iraquiano lamentou a falta de mais apoio americano. Os drones de vigilância dos EUA, disse ele, só “fiscalizam uma área por vez, mas o EI é móvel”. As recentes vitórias dos jihadistas talvez sejam reflexo da fraqueza de seus inimigos em terra, mas conferem ao califado uma aura que deve atrair novos recrutas. O fato de que o EI se encontre em tal posição, mesmo depois de quase um ano de bombardeios, é fonte de constrangimento para o presidente Obama.

O Irã zomba abertamente da timidez dos americanos. “Obama não fez porcaria nenhuma” em Ramadi, disse Qassem Suleimani, comandante da unidade de elite Quds, que realiza inúmeras operações no exterior. Só o Irã e as milícias apoiadas pelo país teriam disposição para enfrentar o EI.

E, no entanto, é na possibilidade de um acordo com o Irã que Obama deposita suas maiores esperanças de deixar um legado positivo no Oriente Médio. Segundo o pré-acordo sobre o programa nuclear iraniano, firmado em abril, a capacidade de enriquecer urânio e produzir plutônio da república islâmica será reduzida e submetida a um monitoramento sem precedentes, em troca da suspensão de sanções. As restrições à capacidade de enriquecimento de urânio serão abrandadas depois de uma década, mas não as inspeções. Quando isso acontecer, o Irã diz que pretende ampliar significativamente seu programa nuclear, abreviando o “breakout time” (o tempo necessário à produção da quantidade de material físsil suficiente para uma bomba) dos cerca de 12 meses, que o acordo pretende garantir, para algumas semanas ou dias.

Aos olhos de Obama, o acordo, que deve estar pronto até o fim deste mês, cumpre sua promessa de limitar a proliferação das armas de destruição em massa. Mas a insatisfação entre os antigos aliados dos americanos é grande. 

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, lutou abertamente contra as negociações com os iranianos, prejudicando sua relação com Obama, já deteriorada pelo desentendimento em relação à construção de assentamentos e da falta de avanços na negociação de paz com os palestinos. Funcionários da Casa Branca agora dizem que os EUA talvez não vetem mais todas as resoluções da ONU que desagradam a Israel.

E as monarquias árabes estão em estado de choque com a perspectiva de um Irã livre de sanções, causando ainda mais problemas na região. Numa cúpula realizada em Camp David, no mês passado, os líderes dos seis países membros do Conselho de Cooperação do Golfo não conseguiram arrancar dos americanos o compromisso de conter o Irã. Obama os tranquilizou sobre a disposição dos EUA para defendê-los contra um ataque direto; mas, a portas fechadas, disse que eles deveriam se preocupar mais com as ameaças que enfrentam internamente, assim como com eventuais provocações “assimétricas” - à segurança das vias marítimas, por exemplo - por parte dos iranianos.

Os receios dos aliados dos EUA só tendem a crescer com os sinais ambíguos enviados por Obama. Às vezes, o presidente americano apresenta a negociação nuclear como uma transação que tem como objetivo específico o controle de armas. Em outras ocasiões, menciona a possibilidade de uma aproximação mais abrangente com o Irã, criando um “novo equilíbrio” na região. Alguns críticos desconfiam que Obama pretende colocar os EUA num alinhamento mais estreito com o Irã. Mas para Jeremy Shapiro, ex-funcionário do Departamento de Estado, atualmente no Brookings Institution, “o acordo com o Irã não é uma tentativa de ir para a cama com os iranianos; é uma tentativa de sair da cama com os sauditas”. Shapiro argumenta que diminuiu a dependência dos americanos em relação ao petróleo do Golfo e o preço do produto se tornou menos sensível a crises políticas na região. Uma vez equacionada a ameaça de uma bomba nuclear iraniana, prossegue ele, os EUA poderiam se desengajar com mais facilidade, adotando uma presença militar mais reduzida no Oriente Médio, apenas com o intuito de manter abertas as rotas marítimas do Golfo.

Mas se os americanos ainda têm interesse na estabilidade da região como um todo, esse desengajamento certamente não é uma boa opção. Mesmo que um acordo contribua para fortalecer os iranianos moderados, há o risco de que os linhas-duras do regime islâmico tentem sabotá-lo ou exijam, como preço por sua concordância, maior liberdade de ação para ampliar sua influência no exterior. 

Se as ações da coalizão liderada pelos sauditas no Iêmen - para combater as milícias houthis, apoiadas pelo Irã - servem como indicação, não é implausível que os nervosos aliados que os americanos têm no Golfo reajam de forma vigorosa, ou até mesmo desproporcional, a qualquer coisa que lhes cheire a aventureirismo iraniano. Podem, ignorando o clamor americano, tentar desenvolver uma capacidade nuclear que os ponha em pé de igualdade com o Irã. Assim, um acordo que pretendia coibir a proliferação de armas nucleares poderia acabar levando à proliferação de países prestes a se tornar potências atômicas. E Israel não faz segredo do fato de que uma nova rodada de escaramuças com o Hezbollah libanês, principal grupo a que os iranianos recorrem para enfrentar indiretamente seus inimigos, é só questão de tempo.

Num livro publicado recentemente, National Insecurity: American Leadership in an Age of Fear (Insegurança Nacional: a liderança dos EUA numa era de medo), David Rothkopf, CEO do FP Group, que publica a revista Foreign Policy, vê uma simetria funesta entre as políticas de Obama e de Bush, seu antecessor. Um presidente foi fundo demais no Iraque, o outro saiu de lá muito cedo; o primeiro errou o alvo por mirar muito alto, o segundo, por mirar muito baixo; o republicano quis usar o poderio dos EUA para atacar inimigos pelo mundo afora; o democrata com frequência dá a impressão de ver esse poderio como uma ameaça. Mas, se Bush melhorou no segundo mandato, Obama não aprendeu com seus erros.

De volta ao centro. Poucos em Washington acreditam que em seus últimos 19 meses de governo, Obama abandonará a inércia no Oriente Médio. Por isso, os especialistas em política externa estão atarefados preparando apresentações e memorandos em que aconselham o próximo presidente a retomar a iniciativa, propondo ações de maior ou menor amplitude. Os levantamentos de opinião, que por muito tempo indicavam que a política externa de Obama era mais popular que o desempenho global de seu governo, agora conferem índices piores ao modo como ele lida com o mundo, indicando que tal mudança pode ser bem-vinda.

Os sucessores mais prováveis de Obama, incluindo a favorita a encabeçar a chapa democrata, Hillary Clinton, certamente vão querer dar a impressão de ter mais pulso firme. Do lado dos republicanos, há um isolacionista, o senador Rand Paul, que responsabiliza os linhas-duras de seu partido pela encrenca no Iraque e na Síria. Os outros falam em fazer mais - muito mais no caso do senador Lindsey Graham, que defende o envio de 10 mil soldados para o Iraque. Alguns republicanos insinuam que não pretendem honrar o acordo com o Irã, caso venha a ser assinado.

Mas entre esses extremos há um meio-termo em que tanto Jeb Bush - que já afirmou que, se soubesse em 2003 o que sabe hoje, “não teria entrado no Iraque”, como fez seu irmão - quanto Hillary podem tentar marcar posição. Pode-se visualizá-lo nas recomendações de um grupo suprapartidário de especialistas em política externa, publicadas pelo Washington Institute for Near East Policy: infligir grandes perdas ao EI para reduzir seu poder de recrutamento; constituir uma oposição moderada na Síria, dotada de um porto seguro a partir do qual possa “mudar o equilíbrio de poder”; e interromper o estremecimento das relações com Israel.

Os autores sabem que o próximo presidente não terá muita margem de manobra. Os cortes impostos pelo chamado “sequestro orçamentário” limitarão os gastos do Pentágono. O expansionismo russo e as demonstrações de poder dos chineses exigirão atenção e recursos. A sociedade americana não vai querer outra guerra. De maneira reveladora, os autores dizem que “colocar tropas americanas no campo de batalha não é a reposta” para enfrentar o EI. Eles também admitem que um acordo nuclear “tem condições de estabelecer as bases de um regime de controle efetivo”, embora deva vir acompanhado de advertências muito claras sobre as consequências de eventuais violações. Se sunitas forem mobilizados para enfrentar o EI, “nem por isso o Irã poderá ser visto como aliado”.

O próximo presidente pode dispensar um tratamento mais caloroso a Israel, e talvez esteja disposto a fechar os olhos para a construção de novos assentamentos nos territórios ocupados. Pode se esforçar mais para tranquilizar as monarquias do Golfo e tratar os iranianos com severidade. No Iraque, as forças especiais podem receber autorização para deixar suas bases e ajudar a identificar possíveis alvos de ataques aéreos, além de incutir mais tenacidade nas unidades iraquianas. Na Síria, pode-se fazer um esforço mais robusto para treinar uma força moderada, mesmo que só para conquistar um assento na mesa de negociações. Podem ser instituídas zonas de exclusão aérea de algum tipo.

Um ativismo moderado como esse pode dar bons resultados - embora também possa produzir reveses que, diferentemente das oportunidades desperdiçadas por Obama, serão bastante visíveis. O que tal ativismo não pode fazer é alterar o fato de que o Oriente Médio, essa região que ainda é fonte vital de energia e berço de grandes religiões, passa por uma transformação profunda.

 

Estados árabes desacreditados, muitos deles surgidos das ruínas deixadas pelo Império Otomano ao fim da 1.ª Guerra, estão entrando em colapso. Os EUA não têm como interromper esse movimento. Ao assumir um papel ativo, o país talvez possa ajudar na transição para algum novo arranjo, possivelmente melhor, e evitar os piores resultados. Mesmo assim, será um processo sangrento e demorado

© 2015 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR ALEXANDRE HUBNER, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM

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