Os primeiros sopros dos ventos da mudança em Havana

Para visitantes de primeira viagem, uma das coisas mais chocantes em Cuba é a ausência de anúncios publicitários na paisagem. O governo socialista tem apenas outdoors exibindo imagens de Fidel Castro e suas citações mais notáveis.

Análise: Marc Lacey / NYT, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2010 | 00h00

Essa situação pode mudar com o anúncio fascinante feito pelo governo cubano na semana passada de que reduzirá em 10% o funcionalismo público e espera que as centenas de milhares de trabalhadores dispensados encontrem ocupações em um novo sistema que tem um ar de livre empresa.

Será que Cuba em breve estará exibindo outdoors promovendo empresas? Provavelmente. E outras mudanças virão. Numa escala não vista em meio século, os cubanos estarão contratando outros cubanos para empresas de médio porte, criando relações patrão-empregado sem o envolvimento direto do Partido Comunista. A ideia de a pessoa receber um salário mesmo que fique sem fazer nada, dormindo, e não compareça ao trabalho, será colocada em xeque. E é possível que a criação de quase capitalistas desencadeie forças que os Castros ou seus sucessores poderão ser incapazes de controlar.

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