Fernando Vergara/AP
Fernando Vergara/AP

Os protestos que pressionam o presidente da Colômbia desde 2019

Iván Duque enfrentou três grandes mobilizações desde quando assumiu o país

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2021 | 05h00

BOGOTÁ - O presidente colombiano, Iván Duque, enfrenta protestos maciços pela terceira vez desde que assumiu o poder em 2018. Multidões de rostos jovens exigem uma mudança de norte para seu governo,em um país que viveu mais de meio século de conflito armado. 

Pelo menos uma grande mobilização por ano desde 2019 colocou o presidente conservador em xeque. Após o fim do confronto armado com as Farc, guerrilha que se transformou em partido político, os manifestantes não só rejeitam a violência, mas exigem políticas que melhorem suas condições de vida. 

Entenda as três mobilizações:

Protesto diferente

A última vez que a Colômbia ouviu os sons das ruas em rejeição a algo diferente da violência foi em 1977. Na época, os sindicatos eram os protagonistas. Mas em novembro de 2019, centenas de milhares foram às ruas para mostrar sua insatisfação com o governante mais jovem da história recente do país, agora com 44 anos. 

Reunidos pelo chamado Comitê Nacional de Desemprego - que continua liderando os protestos - sindicatos, estudantes, indígenas, ambientalistas e opositores fizeram quase três semanas de denúncias. 

Foi uma manifestação polivalente: a favor do ensino público gratuito, rejeição da corrupção, contra o assassinato de ativistas sociais e ex-guerrilheiros que assinaram a paz em 2016 e em apoio ao pacto histórico do qual Duque é crítico. 

Os protestos deixaram quatro mortos e cerca de 500 feridos.

Brutalidade policial

Em 2020, o descontentamento voltou junto com a rejeição à brutalidade policial. O assassinato de Javier Ordoñez, de 43 anos, em Bogotá, pelas mãos de agentes que o sujeitaram a punições violentas, desencadeou a ira dos manifestantes. 

A polícia, que durante o prolongado conflito armado interno foi muito popular, foi desta vez o foco dos protestos. 

As pessoas avançaram sobre mais de cinquenta postos policiais, que foram destruídos. 

Durante os dias de manifestação, 13 pessoas morreram na capital e arredores, a maioria jovens entre 17 e 27 anos que foram baleados. 

Centenas foram feridas por balas. A prefeitura de Bogotá denunciou que os policiais uniformizados atiraram indiscriminadamente contra civis. 

O governo pediu desculpas pelo excesso de força. Em abril de 2021, um dos policiais foi condenado a 20 anos de prisão pela morte de Ordóñez. 

Reforma tributária

Uma proposta de reforma tributária, que segundo especialistas castiga a classe média, foi o ponto de partida para uma nova mobilização contra o presidente Duque. 

Em meio à crise econômica gerada pela pandemia e com a pobreza e o desemprego em alta, o presidente apresentou ao Congresso uma iniciativa que buscava aumentar o ICMS sobre determinados produtos e ampliar a base tributária. 

Dezenas de milhares protestaram nas ruas das principais cidades em 28 de abril. Uma semana depois, as manifestações continuam, em meio a confrontos que deixaram uma dezena de mortos e mais de 800 feridos. 

A comunidade internacional denunciou os abusos praticados pelas forças de segurança durante os dias de protesto. Segundo ONGs e defensores dos direitos humanos, a polícia abriu fogo contra civis. 

Embora o presidente tenha retirado a iniciativa de reforma tributária e o ministro das finanças renunciado, a agitação pós-conflito parece se instalar em um dos países mais desiguais do continente, com desemprego de 16,8% e pobreza chegando a 42,5% da população total. /AFP

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