Os três degraus para o Paraíso, segundo a Bíblia

Para se chegar ao Paraíso é preciso ter "mãos inocentes e coração puro" e não se devem dizer mentiras, explicou o papa João Paulo II às 15.000 pessoas presentes à Praça de São Pedro para a audiência geral desta quarta-feira. Não se trata apenas de "não dizer mentiras, mas também de não acreditar em falsos ídolos e não fazer nenhum juramento em detrimento do próximo" - ou seja, é preciso agir com base na justiça e na retidão, disse o pontífice. As "condições" para o que na Bíblia é definido como "o acesso ao monte do Senhor" - ao qual "pertence a Terra com seus habitantes" - foram o tema abordado pelo papa na audiência assistida pelos integrantes de quatro corais provenientes dos EUA e um pitoresco grupo de jovens brasileiros usando trajes tradicionais. Na mensagem que dirigiu aos presentes, o papa, que parecia mais cansado, repetiu que as "condições para podermos chegar à comunhão com o Senhor" são as indicadas no Salmo 23. Essas condições "não são normas meramente rituais e exteriores a observar e, sim, compromissos morais e existenciais a praticar", acrescentou o papa Wojtyla.No salmo, lembrou ele, os fiéis perguntam ao sacerdote "como chegar ao monte do Senhor". "Em primeiro lugar é preciso ter mãos inocentes e coração puro. Mãos e coração evocam a ação e a intenção, todo o ser do homem, que deve ser radicalmente orientado para Deus e sua lei", disse João Paulo II. Acrescentou que "a segunda exigência é a de não dizer mentiras - que, na linguagem bíblica, não se refere apenas à sinceridade, mas também à toda a luta contra a idolatria - já que os ídolos são falsos deuses, ou seja, mentira". Isto reafirma o primeiro mandamento do Decálogo, a pureza da religião e do culto. Por último, a terceira condição, disse o papa, se refere às relações com o próximo: "Não jurar prejudicando o próximo". A palavra, em uma civilização oral como era o antigo Israel, não podia ser usada para enganar. Muito pelo contrário, era símbolo das relações sociais inspiradas na justiça e na retidão, concluiu o pontífice.

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