Ossétia diz que negocia anexação e base militar com a Rússia

Separatistas georgianos dizem que têm direito de se integrar com Moscou; UE rechaça aplicação de sanções

Agências Internacionais,

29 de agosto de 2008 | 08h54

Autoridades da Rússia e da Ossétia do Sul estão de acordo quanto a uma futura anexação da província separatista georgiana pela Federação Russa, afirmou nesta sexta-feira, 29, o presidente do Parlamento ossetiano, Znaur Gassiyev. De acordo com ele, o presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, e o líder da Ossétia do Sul, Eduard Kokoity, conversaram sobre o futuro da região durante uma reunião ocorrida esta semana em Moscou. Segundo a agência russa Interfax, Moscou ainda firmará na próxima semana um acordo para instalar bases militares na Ossétia do Sul, de acordo com afirmações do vice-presidente osseta Tarzan Kokoiti.   Veja também: EUA orquestraram ofensiva da Geórgia na Ossétia, diz Putin EUA: revanchismo russo mostra 'fraqueza' do país Entenda o conflito separatista na Geórgia   Na última terça-feira, o governo russo reconheceu formalmente a independência da Abkházia e da Ossétia do Sul, duas regiões autônomas que buscam separar-se da Geórgia. Segundo Gassiyev, a Rússia "absorverá" a Ossétia do Sul no decorrer de "vários anos". Tal situação, prosseguiu ele, foi "firmemente estabelecida por ambos os governantes". Uma porta-voz do Kremlin disse não dispor de informações para comentar o assunto. Tarzan Kokoiti, assessor de Gassiyev, observou que os ossetianos do sul têm o direito de reintegrar-se à Ossétia do Norte, que faz parte da Rússia. "Viveremos em um Estado russo unido", comentou. "A assinatura de um acordo de cooperação interestatal e de instalação de bases militares russas no território da Ossétia do Sul será realizada no dia 2 de setembro", afirmou Kokoiti.   O governo da Geórgia acusou a Rússia de estar anexando ostensivamente seu território e disse que o reconhecimento da independência das províncias rebeldes Ossétia do Sul e Abkházia não tem força legal. Líderes da União Européia também endureceram o discurso em relação à Rússia e ameaçaram considerar sanções contra Moscou na reunião do bloco na segunda-feira. Nesta sexta, o grupo voltou atrás e afirmou que não adotará restrições contra Moscou, segundo fontes do governo francês, que ocupa a Presidência rotativa da UE. Na reunião extraordinária convocada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, os países insistirão que o acordo de cessar-fogo, de seis pontos, deve ser cumprido em sua totalidade.   Representantes da Rússia e da Geórgia trocaram acusações perante os membros do Conselho de Segurança da ONU durante a primeira reunião desde que Moscou reconheceu a independência das províncias georgianas. Os embaixadores da Rússia e dos EUA lançaram duras declarações sobre o Iraque e Kosovo. As acusações no mais puro estilo da Guerra Fria constituem o reflexo da crescente tensão entre os dois países.   O vice-embaixador americano, Alejandro Wolff, afirmou que a invasão russa violou a Carta da ONU para os Estados-membros sobre o uso da força ou a ameaça de usá-la contra outras nações. Wolff disse ainda que o argumento russo de que sua campanha na Geórgia pretendia proteger cidadãos russos era uma farsa - a maioria dos cidadãos da Ossétia do Sul possui cidadania russa. O diplomata russo Vitaly Churkin afirmou que as acusações americanas eram hipocrisia, e lembrou a invasão dos EUA no Iraque em 2003, que Moscou foi contra. "Vocês encontraram armas nucleares no Iraque ou ainda buscam?", afirmou o embaixador. O americano respondeu afirmando que não há nenhum tipo de ambição territorial ou o desejo de desmembrar o Iraque.   Churkin também criticou a campanha de bombardeios da Otan em 1999 contra a Sérvia, para obrigá-la a se retirar de Kosovo, província que autoproclamou sua independência em fevereiro deste ano. Além disso, o diplomata russo vinculou a declaração de independência da Ossétia do Sul e da Abkházia com a kosovar.   "G-7 sem fundamento"   Autoridades russas disseram nesta sexta-feira que as críticas feitas pelos países do G7 (as sete maiores economias do mundo) à ação da Rússia na Geórgia são "parciais e sem fundamento". Em nota oficial, o ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que o G7 está tentando justificar a agressão da Geórgia contra regiões separatistas georgianas. O G7 acusa a Rússia de desrespeitar as leis internacionais ao reconhecer a independência das duas províncias.   O ministério russo acusa o G7 de fazer "afirmações sem base de que a Rússia teria ferido a integridade territorial da Geórgia". "Este é um passo parcial e tem como objetivo justificar as ações agressivas da Geórgia", diz a nota publicada no site do ministério na Internet, segundo a BBC.   O pronunciamento foi divulgado um dia depois de o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, elevar o nível de tensão com palavras duras contra os Estados Unidos. Putin disse à rede americana de TV CNN que existe uma "suspeita" de que o conflito na Geórgia foi criado por um americano, na esperança de beneficiar um dos candidatos presidenciais na disputa pela Casa Branca. O governo americano classificou o comentário de Putin como "não racional".

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