Otan admite que não pode interromper bombardeios de Kadafi em Misrata

Caráter humanitário da missão impede envio de tropas, o que dificulta ação contra armas pesadas

Associated Press

19 de abril de 2011 | 16h36

TRÍPOLI - Os comandantes militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) admitiram nesta terça-feira, 19, que não é possível impedir os bombardeios das forças do ditador Muamar Kadafi contra a cidade de Misrata, no leste da Líbia, atualmente controlada pelos rebeldes.

 

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Misrata, a terceira maior cidade da Líbia, está sob cerco das forças do coronel há quase dois meses. Nos últimos dias, os bombardeios contra os rebeldes foram intensificados. Os hospitais estão lotados com corpos e pessoas feridas e já foi constatada uma crise humanitária devido aos cortes de abastecimento de água, energia e alimentos. Os líderes da cidade já pedem o envio de tropas estrangeiras ao local.

 

 

O brigadeiro-general Mark van Uhm afirmou que o problema em atacar os equipamentos de bombardeio de Kadafi, como morteiros e lança-granadas, reside no fato de que civis poderiam resultar feridos em tais investidas. "Há um limite no que pode ser conseguido via ataques aéreos".

 

 

Outro comandante da Otan, o almirante Giampaolo Di Paola, disse que mesmo que as operações causaram "danos significativos" aos armamentos do regime Líbio, Kadafi ainda tem um arsenal "considerável". O militar afirmou que "a ajuda de aliados" seria bem-vinda para combater os bombardeios do ditador.

 

Di Paola, porém, afirmou que o caráter humanitário da missão da Otan, que age sob tutela do Conselho de Segurança das Nações Unidas, não permite que os bombardeios sejam completamente evitados, já que não se pode enviar tropas a Misrata. "Estamos prevenindo Kadafi de usar todo o potencial de seu poder. Infelizmente não estamos aptos a fazer com que ele não possa usar nenhunma arma", completou.

 

Nesta terça, houve novos confrontos entre as tropas de Kadafi e os rebeldes no centro da cidade. A Otan atingiu apenas radares e equipamentos de defesa aérea, e os soldados do governo ainda conseguem acesso ao local, que está a região oeste do país, dominada pelo ditador.

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