Otan adverte Rússia e promete apoiar Geórgia; Moscou critica

Os países-membros da Organização doTratado do Atlântico Norte (Otan) afirmaram na terça-feira serimpossível manter contatos regulares com a Rússia enquanto ossoldados russos não se retirarem totalmente da Geórgia. A aliança militar disse ainda estar "avaliando comseriedade" as implicações da recente operação militar dosrussos. "Concluímos que não podemos prosseguir como se nada tivesseacontecido", afirmaram os 26 países-membros da Otan em umadeclaração conjunta após um encontro de emergência realizado emBruxelas para falar sobre o conflito em torno da Ossétia doSul. Os aliados acertaram ainda criar um novo fórum batizado deComissão Otan-Geórgia com o intuito de aprofundar os laços como governo georgiano. A Rússia afirmou que a declaração da Otan foi tendenciosa eacusou a aliança militar ocidental de tentar salvar um "regimecriminoso" em Tbilisi. "A Otan está tentando transformar um agressor em vítima eencobrir um regime criminoso, (está tentando) salvar um regimeem colapso e está no caminho do rearmamento dos líderes atuaisda Geórgia", disse o ministro das Relações Exteriores daRússia, Sergei Lavrov, a repórteres. Lavrov disse que a Rússia não tinha a intenção de ocupar oterritório georgiano. Ele também disse que as tropas russaspodem ser retiradas da Geórgia em 3 a 4 dias, mas isso dependeda rapidez da Geórgia em retornar às suas bases permanentes. O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, disse emuma entrevista coletiva que a entidade funcionaria de formasemelhante ao que havia ocorrido no caso da Ucrânia, quemanteve um laço do tipo ao longo de 11 anos. Mas De Hoop Scheffer ressaltou que a comissão nãoprejulgaria as chances de a Geórgia ingressar na aliançamilitar. SEM FECHAR AS PORTAS O secretário-geral afirmou ainda que as forças russasprecisavam regressar às posições que ocupavam no dia 6 deagosto e que, até lá, não haveria nenhuma chance de realizarencontros entre os países da Otan e a Rússia. "Com certeza, não pretendemos fechar todas as portas",disse. Mas acrescentou, referindo-se à promessa russa deretirar-se da Geórgia: "Isso não está ocorrendo neste momento." "Os soldados russos terão de se retirar agora para asposições que ocupavam antes da crise." Meses de tensão entre a Geórgia e a Rússia eclodiram no dia7 de agosto, quando o governo georgiano tentou, à força,retomar o controle sobre a região separatista da Ossétia doSul. Os russos, que apóiam os separatistas, lançaram uma imensacontra-ofensiva, estacionando unidades em parte da Geórgia,para além da Ossétia do Sul. Os EUA pediram que os países da Otan considerassem apossibilidade de ao menos suspender os encontros de nívelministerial realizados com a Rússia. Mas a Grã-Bretanha eoutros membros da aliança disseram que seria contraprodutivocortar os canais de comunicação com a Rússia neste momento. O governo russo ficou insatisfeito com a promessa da Otande avaliar a possibilidade de a Geórgia ingressar em seusquadros. Isso levaria a aliança militar para a fronteira sul daRússia. Muitos analistas acreditam que essa promessa e uma promessasemelhante feita à Ucrânia são as causas subjacentes aoconflito deste mês. Segundo aliados do governo georgiano, o conflito fortaleceuo argumento para que a Geórgia seja admitida o quanto antes naOtan. Mas a secretária de Estado norte-americana, CondoleezzaRice, afirmou a repórteres, na noite de segunda-feira, que nãohavia nenhum plano para antecipar as discussões sobre aquestão, marcadas para acontecer em dezembro. (Por Mark John e David Brunnstrom)

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