Otan ameaça atacar Síria se crise com Turquia piorar

Secretário-geral da aliança elogia posição turca durante a crise com Damasco. mas oferece solidariedade a Erdogan

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2012 | 03h13

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) anunciou ontem, em Bruxelas, estar preparada para atacar a Síria caso as hostilidades com a Turquia - um de seus países membros - se intensifiquem. O anúncio foi feito pelo secretário-geral da instituição, Anders Fogh Rasmussen, e expõe o risco de uma escalada de violência, que as Nações Unidas tentam evitar. Em Paris, o secretário-geral Ban Ki-moon fez um apelo por um cessar-fogo.

As declarações de Rasmussen foram suas primeiras desde o bombardeio da cidade de Akçakale, no sul da Turquia, por forças sírias, o que resultou na morte de cinco pessoas na quarta-feira. Elogiando a moderação do governo turco, que "tem o direito de se defender", Rasmussen disse esperar que ambos os países sejam capazes de evitar uma escalada da crise. "A Turquia pode contar com a solidariedade da Otan e nós temos todos os planos para defender o país se houver necessidade", afirmou.

Até então, a Otan se limitava a fazer declarações de apoio ao governo turco, mas sem evocar a possibilidade de entrada no conflito. Em Ancara, o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, evitou fazer novas ameaças e disse apenas que seu governo não cessará jamais de replicar sempre que for atacado. Desde segunda-feira, pelo menos 25 novos aviões de caça F-16 turcos foram deslocados para a base aérea de Diyarbakir, segundo a agência Dogan. "Nós nos oporemos a todos os tipos de ameaças contra o território e o povo turco", garantiu Erdogan.

Em Paris, onde se encontrou com o presidente da França, François Hollande, Ban Ki-moon advertiu para o risco de conflito iminente entre a Síria e a Turquia, o que se sobreporia à guerra civil em curso em Alepo e outras cidades sírias. "A escalada do conflito é extremamente perigosa", disse o secretário-geral da ONU.

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