Faisal Mahmood/Reuters
Faisal Mahmood/Reuters

Otan ameaça pacificação do Afeganistão, diz Paquistão

Bombardeio prejudica esforços dos EUA para debelar uma crise com o Paquistão e estabilizar a região

QASIM NAUMAN E ZEESHAN HAIDER, REUTERS

28 de novembro de 2011 | 08h56

ISLAMABAD - O bombardeio da Otan que matou 24 soldados paquistaneses no fim de semana ameaça a cooperação do Paquistão nos esforços pela pacificação do Afeganistão, disse um porta-voz militar do país nesta segunda-feira, 28.

O incidente prejudica os esforços norte-americanos para debelar uma crise com o Paquistão e estabilizar toda a região, num momento em que os EUA tentam pôr fim à guerra no Afeganistão.

"Isso poderia ter sérias consequências no nível e extensão da nossa cooperação", disse o porta-voz das Forças Armadas, general Athar Abbas, à Reuters.

Somando um novo elemento às tensões, a China se disse "profundamente chocada" com o incidente, e manifestou "forte preocupação pelas vítimas e profundas condolências ao Paquistão".

"A China acredita que a independência, a soberania e a integridade territorial do Paquistão devem ser respeitadas, e que o incidente deve ser minuciosamente investigado", disse o porta-voz Hong Lei em nota no site da chancelaria chinesa.

O Paquistão foi aliado de primeira hora dos EUA na sua "guerra ao terrorismo", mas as relações entraram em crise por causa de bombardeios da Otan no território paquistanês e suspeitas norte-americanas de que autoridades do país colaboram com militantes islâmicos.

Já a China e o Paquistão, unidos pela desconfiança em relação à Índia e pelo desejo de se posicionarem contra a influência norte-americana na região, se mostram cada vez mais próximos.

Os militares paquistaneses negaram relatos de que forças da Otan no Afeganistão teriam sido atacadas antes de reagir. Abbas disse que o bombardeio da Otan durou duas horas, apesar de alertas feitos por postos de fronteira paquistaneses por meio de uma linha telefônica criada justamente para evitar incidentes de "fogo amigo".

A Otan descreveu o caso como um "incidente trágico e indesejado" e prometeu investigar. Uma autoridade ocidental e um funcionário afegão do setor de segurança disseram, ambos sob anonimato, que os soldados da Otan estavam reagindo a disparos vindos do lado paquistanês da fronteira.

Os militares paquistaneses afirmam que o ataque foi gratuito, e evocaram o direito à retaliação.

É possível que ambas as explicações sejam corretas: que um revide da Otan tenha resultado em um trágico equívoco, num terreno acidentado onde pode ser difícil distinguir um aliado de um inimigo.

Tudo o que sabemos sobre:
PAQUISTAOOTANAMEACA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.