Otan ameaça retaliação imediata caso Assad use armas químicas na Síria

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, disse ontem que a comunidade internacional terá uma "reação imediata" caso o governo da Síria utilize armas químicas. A declaração repete a mesma linha do alerta feito na segunda-feira pelo presidente dos EUA, Barack Obama, de que o uso de armas de destruição em massa seria um "erro trágico" do regime de Bashar Assad.

BRUXELAS, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2012 | 02h02

"Os estoques de armas químicas sírias são motivo de grande preocupação", disse Rasmussen, ao chegar a uma reunião da Otan em Bruxelas, na Bélgica, na qual os 28 membros da aliança atlântica aprovaram o pedido da Turquia para a instalação de mísseis Patriot na fronteira com a Síria. A medida, de acordo com o secretário-geral da Otan, é uma forma de proteção de Ancara contra ataques do país vizinho. "Para os que querem atacar a Turquia, nossa mensagem é clara: 'Nem pensem nisso'", declarou Rasmussen.

O chanceler russo, Sergei Lavrov, que também participou da reunião em Bruxelas, disse que Moscou era contra a instalação dos mísseis na Turquia, porque a medida apenas "aumentaria as tensões na região". Rasmussen, no entanto, garantiu que a ação era apenas de defesa. "Isto não significa, de forma alguma, um apoio a uma zona de exclusão aérea ou uma operação ofensiva", afirmou.

Os temores da comunidade internacional com relação às armas químicas de Assad aumentaram na segunda-feira, quando funcionários do serviço americano de inteligência afirmaram que Damasco estaria misturando os componentes necessários para o uso militar do gás sarin, que provoca paralisia completa e depois a morte.

"Recorrer às armas químicas é e seria totalmente inaceitável", disse Obama. "Se você (Assad) cometer o trágico erro de utilizar estas armas, haverá consequências e você responderá por elas. Não podemos permitir que o século 21 seja obscurecido pelas piores armas do século 20."

Damasco reagiu às advertências dos EUA e da Otan negando ter planos de usar armas químicas contra seu próprio povo. "A Síria tem destacado repetidamente que não usará essas armas, se estivessem disponíveis, sob quaisquer circunstâncias contra seu povo", afirmou, em nota, o Ministério de Relações Exteriores do país.

Ataque a escola. Os combates em Damasco se intensificaram nos últimos dias, levando a ONU a retirar parte de seus funcionários do país. Ontem, a Sana, agência de notícias oficial síria, disse que um repórter do jornal estatal Tishrin foi morto perto de sua casa em Al-Tadhamon, subúrbio da capital, quando se dirigia ao trabalho. Segundo a agência, Naji Assad foi "assassinado por um grupo terrorista", termo usado pelo regime para descrever os rebeldes.

Também ontem, um professor e pelo menos 28 alunos foram mortos em um ataque contra uma escola no campo de refugiados de Wafidin, 20 quilômetros a nordeste de Damasco. A origem do ataque ainda não é clara. A imprensa estatal afirma que o local foi atingido por um morteiro lançado por rebeldes que lutam contra Assad. No entanto, o grupo opositor Observatório Sírio de Direitos Humanos culpou as tropas do governo.

Sem saída. Um dos fatores que estariam prolongando o conflito na Síria seria a falta de opções de Assad. Segundo Fyodor Lukyanov, analista russo com contatos na chancelaria síria, enviados do Kremlin a Damasco, que tiveram contato com o ditador, há duas semanas, o descreveram como um homem que perdeu toda esperança de vitória ou de fuga.

"Ele está convencido de que acabará morto de uma maneira ou de outra", afirmou Lukyanov, diretor de um influente centro de estudos em Moscou. "Se ele tentar fugir, será morto por seu próprio povo. Se ele ficar, será morto por seus adversários. Assad se encontra numa armadilha. A questão não é a Rússia ou seja lá quem for, a questão é a sua sobrevivência física." / REUTERS, AP e NYT

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